“Doug, Doug, faça-os chorar, por favor, faça-os chorar!” - Era assim que, segundo Douglas Sirk, o produtor Ross Hunter costumava apresentar-lhe algum projeto. Sirk, considerado o pai do melodrama, e, consequentemente, de toda uma série de novelões mexicanos ou brasileiros, além de ter inspirado diretores como Pedro Almodóvar, entretanto, tem um dom especial, que o diferencia de todo o resto do gênero: ele pega uma história que pode ser considerada boba, ou até exagerada demais, e lhe dá um tom pessoal e convincente. E acaba, por fim, conseguindo tocar a alma do espectador.
Foi assim com Tudo que o céu permite, de 1955, o quinto filme da parceria entre Douglas Sirk e Rock Hudson - eles fariam nove filmes juntos no espaço de seis anos - e o segundo com o par romântico de sucesso Jane Wyman-Hudson. Uma crítica ácida à sociedade da época, seus costumes quase que ultrapassados, o preconceito e a hipocrisia, lançado em uma época em que a revolução sexual apenas engatinhava, All that heaven allows, no original, é um filme extremamente marcante, de visual sofisticado, e que conta uma história que talvez não seja tão exclusivamente da década de 1950 como pareça.

