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terça-feira, 31 de março de 2015

Entre Deus e o Pecado (1960)


"Um dia acordei como estrela. Fiquei amedrontado. Então trabalhei mais a fundo para me tornar um bom ator." - Burt Lancaster

Essa afirmação fica bem diante de nossos olhos assistindo "Entre Deus e o Pecado", filme que rendeu a Lancaster um Oscar de Melhor Ator em 1961. A adaptação de Richard Brooks para esse romance controverso, revela a faceta manipuladora de algumas igrejas evangélicas que transformam religião em negócio. Nenhum estúdio ficou interessado em financiar tal projeto "impensável", fazendo o cineasta inventar sua própria produtora e negociar a distribuição com a United Artists, estúdio aberto a produções indepentendes. O filme conta ainda com a cantora Patti Page e Jean Simmons, no papel de uma líder religiosa, ovacionada por centenas de fiéis durante os sermões e nos faz lembrar até de Cleycianne ou Aline Barros, divas Gospel do nosso país.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

#Tradução: Em busca do hipertendido, uma crítica ao filme "Uma rua chamada Pecado"

                                                    
Em busca do hipertendido


Cahiers du Cinéma, Número 12, maio de 1952
Renaud de Laborderie
Traduzido por Jessica Bandeira

É evidente que este filme representa um louvável esforço rumo à qualidade e que não foi absolutamente concebido e dirigido para agradar o gosto do espectador médio americano cuja idade mental, segundo as estatísticas, está em torno dos 12 anos. A peça, que está quase perto de ser uma fiel transposição, estava destinada a um público bastante exclusivo e “sophisticated” da Broadway, que, por assinar o jornal New Yorker, gosta de ter alguma responsabilidade cultural, algum interesse pelas afetações nuançadas de intrigas dramáticas ditas avant-garde. Estamos, então, prevenidos: o filme será inteligente, hábil, sutil. Mas também será para Chaplin o que Christian Bérard é para Picasso e o que Henry Sauguet é para Strawinsky. 

Trata-se de um filme de autor, muito mais que nenhum outro, e a presença desse autor, Tennessee Williams, o coage até que ele sufoque. Pergunto-me se o espectador que entra por acaso, atraído pelo cartaz friamente erótico do qual os distribuidores, conscientes da hermética inteligência do título, pediram algum socorro, entenderá bulhufas do desenrolar dessa história estranha, contada às vezes, convenhamos, com muita arte.