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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Prisioneiro do passado (1947)



Foi com muito pesar que ontem recebemos a notícia do falecimento de uma das melhores atrizes da era de ouro em Hollywood, Lauren Bacall. Nós, do Cine Espresso, ficamos muito tristes, e cairemos no clichê mais verdade do mundo ao dizermos que seu legado ficará para sempre através dos filmes que estrelou. Por isso, durante os próximos posts, tentaremos homenagear essa atriz tão versátil, falando sobre alguns de seus filmes. E eu, como sou a louca do filme noir, escolhi um dos filmes desse gênero que Betty estrelou para prestar minha pequena homenagem a ela.

Dark passage (Prisioneiro do passado por aqui) foi o terceiro dos quatro filmes que a dupla Bogie-Bacall fizeram. Alguns clamam que não é o melhor, mas quer saber? É noir, tem o casal mais sensação de 1947 (eles tinham acabado de casar, me corrijam se eu estiver errada) e não tem a obrigação de ser um The big sleep da vida. O filme foi produzido por nada mais nada menos que Jerry Wald, o homem que colocava a mão em tudo e fazia virar sucesso. Lembrando que Wald produziu Mildred Pierce e Sob o signo do sexo, que resenhei por aqui.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Chamas que não se apagam (1956)



Olivia de Havilland e Errol Flynn. Ginger Rogers e Fred Astaire. Cary Grant e Kate Hepburn. Todo mundo (ou quase todo mundo) tem um casal preferido no cinema, o que carinhosamente chamamos de ship. Inclusive o fenômeno se alastrou tanto que até um verbo foi criado: shippar. Quando você shippa um casal (heterossexual ou não), tem que estar com o coração preparado para grandes emoções. Significa falar com a televisão enquanto vê os filmes, torcer pelo casal, surtar pelo casal, dormir e respirar aquele casal. Eu já disse que shippar desafia as leis da normalidade?

É claro que para essa festa eu cheguei mais do que atrasada. Fred MacMurray e Barbara Stanwyck foram chegando de mansinho em meu coração. Primeiro assisti Pacto de Sangue (já resenhei por aqui) e fiquei meses com o filme na cabeça. Depois reassisti, reassisti mais umas 9849 vezes antes de dormir e assim eles foram tomando o lugar vago de um ship de cinema clássico aqui neste coração de manteiga. Depois de quase enjoar de tanto ver Pacto, fui conhecer melhor a carreira de Stanwyck e qual não foi minha surpresa ao descobrir que:

a) existia um filme pré Pacto de Sangue estrelado pelos dois!

b) eles estrelaram no total quatro filmes juntos (Nossa Senhora do Ship, me dê a mão, cuida do meu coração)

c) os dois eram muito amigos, senão me engano ele fazia parte do grupo de amigos que escoltava Barbara nas festas depois de seu divórcio bafônico com Robert Taylor (que amigos, hein)

There’s always tomorrow, de 1956, é o último filme da dobradinha MacMurray-Stanwyck. É a maturidade da dobradinha, digamos assim. Aliás, correção: ultima dobradinha em um filme de Douglas Sirk. Sente só o que vem por aí.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A incrível Suzana (1942)

- If you're Swedish, suppose you say something in Swedish.
- "I want to be alone"...?
Nessas últimas semanas tive um surto de Ginger Rogers, mas sem Fred Astaire. Porque é fácil esquecer de vez em quando que ela foi muito mais do que a parceira de dança dele em memoráveis musicais. Mesmo que nesses mesmos filmes seja possível observar a veia cômica de Ginger Rogers, quase nunca isso é lembrado, e ela acaba ficando relegada ao papel da garota que dançou cheek to cheek com Fred em 10 filmes. Já até havia comentado sobre isso aqui, quando postei sobre outro filme dela, Vivacious lady. Filme esse, aliás, que revi durante o período de overdose de Ginger. Acabei assistindo em um mesmo fim de semana esse e mais três outros filmes: No teatro da vida (1937),  Era uma lua-de-mel (1942) e A incrível Suzana (1942). Esse último foi o que mais gostei, e que acabou até entrando na minha lista de favoritos. Eu adorei o filme, e só depois fiquei sabendo que ele fora dirigido por Billy Wilder, um dos meus diretores favoritos. No original The major and the minor foi o primeiro filme que ele dirigiu em Hollywood. 

A boa combinação entre Ginger e Ray Milland (que eu ainda não tinha visto em uma comédia), e o humor delicioso de Billy Wilder, A incrível Suzana é uma boa pedida para quem procura um filme para dar boas e fáceis risadas nesse fim de semana. Afinal, é uma sátira que quase não se leva a sério. Uma comédia de troca de identidade, que funciona principalmente apoiada em seus versáteis protagonistas, possuidores de uma grande química juntos nas telas.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Os pássaros (1963)


O camponês Nat ouve um barulho do lado de fora da janela de sua casa. Algo chocou-se contra ela. O inverno acabava de começar. Algo estava errado, um pássaro atirando-se contra a janela, mas o que é isso? Ninguém acredita em Nat, até que pássaros, essas criaturinhas bondosas e passivas, resolvem atacar uma cidade do interior da Inglaterra, causando pânico por onde passam. Assim é o plot inicial do conto da escritora britânica Daphne du Maurier (apesar desse nome que faz com que a gente pense que ela é francesa). Simples, não? Mas pense para adaptar para o cinema. Pensou? Difícil não? Não para Alfred Hitchcock.

Os pássaros foi um filme que cresceu muito dentro de mim. Como a maioria das pessoas, eu estava contaminada pelo germe Psicose, esperando algo muito mais grandioso a seguir. A primeira vez que o assisti confesso que fiquei bastante frustrada. Depois reassisti outras duas vezes e mudei completamente de opinião. Não só é um filme grandioso como um dos pioneiros em efeitos especiais da época. E além do mais, as fofocas e barracos envolvendo Hitchcock e a estrela do filme, Tippi Hedren, também alimentaram minha curiosidade a tal ponto que acabei comprando o livro que continha o conto que deu origem ao filme.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Indiscrição (1945)


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Barbara Stanwyck: a mulher que podia fazer tudo. Uma lenda das telas.

Uma das maiores atrizes da era clássica do cinema estaria completando 107 anos hoje. Com mais de 80 filmes no currículo, Stanwyck sofreu da mesma síndrome que atormenta Leonardo di Caprio: a Academia simplesmente não reconheceu seu talento. Foi indicada ao Oscar quatro vezes, todas por filmes lacradores, e não ganhou nenhum. Mais para o final de sua vida ganhou o prêmio Cecil B. De Mille, o Oscar honorário pelo conjunto da obra. A programação do canal americano, TCM , homenageia a diva exibindo filmes para todos os gostos. É aí que quero chegar.

Não é a toa que coloquei no começo deste post o banner que o TCM está utilizando para anunciar a maratona Barbara Stanwyck. Nas palavras de uma amiga minha: “ela canta, dança, sapateia, samba na cara”. E é verdade. Poucas atrizes conseguiam ser tão versáteis quanto ela. Fez drama (Stella Dallas – um filme para ver e rever), filme noir (lacradora como Phyllis, a vilã de Pacto de Sangue), suspense (Sorry wrong number, QUE FILME!) e muito mais. Nesta pequena homenagem a ela, falaremos sobre uma de suas facetas menos conhecidas, acredito: a comédia. Indiscrição (Christmas in Connecticut) é uma deliciosa surpresa tanto no quesito roteiro quanto atuações.

Seis videoclipes baseados em filmes



Eu tenho três grandes paixões na vida.  O cinema, é claro, é um deles. Os dois outros são a literatura e a música. Na faculdade, estudei a literatura, e de vez em quando, dava um jeitinho de colocar as outras duas no meio. E hoje nesse post, quero fazer mais ou menos o que eu fazia na universidade.

É fácil, porque essas três áreas andam muito juntas. Temos inúmeros filmes baseados em livros, algumas músicas baseadas em livros (Wuthering Heights, da Kate Bush, sendo a minha favorita nesse quesito, aliás), músicas baseadas em filmes, filmes que deram origem à livros, etc. Mas o assunto aqui hoje, queridos, é a música, mais especificamente os videoclipes  (esse termo é tão anos 90).

A história dos clipes musicais vem de longe, lá dos Beatles nos anos 60, e do ABBA, nos 70, e de outras bandas e cantores que vieram depois, e que, para evitar as inúmeras viagens, mandavam vídeos seus cantando para as emissoras de TV, e nos 80 surgiu a MTV, e o resto é a evolução que se deu a tal ponto que, hoje em dia, o clipe de uma música é tão importante quanto a própria.

Eles fazem parte da cultura pop, assim como alguns clássicos do cinema. Sendo assim, listamos aqui hoje seis clipes que foram influenciados por filmes.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Pelos bairros do vício (1962)

Ou os homossexuais eram motivo de piada nos filmes ou simplesmente apagados. Não havia meio termo. De vez em quando, uma Greta Garbo dava um selinho em outra moça e Marlene Dietrich também, mas tudo fazia parte do burlesco, da arte, era só um momento. Não era assunto para um filme. O romance homossexual não era assunto de filme. Os anos 60 iriam derrubar, aos poucos é verdade, este muro de silenciamento.

Essa época foi um momento de incerteza para Hollywood. A era clássica estava terminando, não estava mais dando os mesmos lucros de antes, a televisão parecia o canal. Não é a toa que uma das protagonistas de Pelos bairros do vício partiu para a televisão depois desse filme, que fora o último de sua carreira no cinema. O fato é que estava difícil. Não foram só os atores e atrizes que envelheceram, mas o que chamamos de cinema clássico também. Era preciso reinventar antes que Hollywood fosse à bancarrota.

Infâmia (1961) de William Wyler abriu as portas para que o amor gay pudesse ser retratado no cinema. Você pode me dizer: “tudo bem, mas e Festim Diabólico de Hitchcock? Os protagonistas eram claramente homossexuais!”. Sim, só que o filme não foca o relacionamento deles; e sim o amigo assassinado e escondido por eles dentro de um baú. Aliás, os personagens homossexuais sempre eram depravados e maus. Ainda que Infâmia tenha aberto essa porta, as protagonistas tinham vergonha de sua sexualidade. Infelizmente Pelos bairros do vício também trabalha dessa forma. E isso os filmes demoraram a mudar. O importante é que, apesar dessas representações horrorosas, o amor gay está ali. A população LGBT existe e não será o silenciamento de Hollywood que anulará esse fato. Pelos bairros do vício mostra o amor homossexual, e o mais importante: uma atriz do calibre de Barbara Stanwyck intepretava uma das personagens gays. Como assim?

terça-feira, 8 de julho de 2014

Dez cenas mais sensuais do cinema

Às vezes a magia no cinema está naquilo que a câmera não diz, que nos deixa pensando. Chamamos esse processo de elipse. Outras vezes, a graça está justamente no que a câmera nos revela, mas de um jeito todo especial. Hoje decidimos eleger as 10 cenas mais sensuais do cinema.

Mostrar a sensualidade e o sexo no cinema sempre foi um processo de ilusão na minha opinião. O erotismo no cinema nos fascina, embora esteja sempre distante da realidade. Ninguém pensa em transar como nos filmes, isso não existe. Não importa. Ver uma bela cena de amor no escurinho do cinema tem seu valor. Desde o surgimento do cinema, os diretores mostraram o sexo de diversas formas. Quando o código Hayes de censura chegou em Hollywood, essas pessoas provaram que podiam falar de sexo através de metáforas e elipses. Depois com a revolução de 1960, as cenas se tornaram mais “reais”, tentando se aproximar do nosso cotidiano. Selecionamos cenas para todos os gostos, desde as mais poéticas até as mais explícitas, por vezes até chocantes. Cenas que, de alguma forma, quebraram padrões na maneira como o sexo e o erotismo é tratado nos filmes.

Não foi fácil elaborar a lista, confesso. Também confesso que meu gosto pessoal influenciou bastante nela. Por isso, se lembrarem de alguma cena que ficou de fora, escrevam na valorosa caixa dos comentários!

Vamos ao nosso top 10?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

As ligações perigosas (1959)



Nada mais certeiro do que os créditos de abertura de As ligações perigosas serem um tabuleiro de xadrez. A metáfora utilizada pelo diretor Roger Vadim poderia resumir o filme e até mesmo a vida. No xadrez cada movimento que fazemos necessita de precisão. Ele deve ser calculado, as perdas e o ganho de mexer nessa ou naquela peça. Em As ligações perigosas, as pessoas são as peças, mas quem é a jogadora? Bem, digamos que ela seja nada mais nada menos do que Jeanne Moreau.



A releitura de Roger Vadim do romance epistolar de Choderlos de Laclos gerou polêmicas, o que é interessante se pensarmos que já estávamos as portas dos anos 60. Como uma adaptação livre de um romance mais velho que a sua avó poderia ainda chocar as pessoas? Simples, é só ambientá-lo na Paris dos ricaços e colocar Jeanne Moreau no papel principal, que era considerada uma mulher indecente para a época. Mas logo falaremos sobre isso. O resto deixe por conta da palavra “adaptação” que por si só suscita discussões ferrenhas.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Aconteceu em Havana (1941)


Ela está no nosso imaginário, na construção de nossa subjetividade como brasileiros e pessoas. Carmen Miranda, assim como o futebol, é uma parte de nós, daquilo que é ser brasileiro. Mas se a influência do futebol é visível, a de Carmen não parece muito clara para nós. É até mesmo controversa. Para alguns, ela traiu o movimento ao se mudar para Hollywood, outros permanecem orgulhosos com o fato dessa atriz de origem portuguesa e nascida no Brasil representar um pedacinho do Brasil na era de ouro do cinema em Hollywood.

Não há ninguém que não a reconheça com seu turbante de frutas, fazendo uma dança pra lá de sensual numa época em que requebrar os quadris como a Shakira era um crime contra a decência. Alguns se lembrarão dela ao lado de sua irmã, Aurora, ao lado de Zé Carioca e Pato Donald cantando Aquarela do Brasil. Partidários ou não de Carmen, temos de admitir que ela exerceu uma grande influência em Hollywood. Mais emblemático do que Lucille Ball imitando Carmen Miranda em seu seriado para mim não há. 

Falar sobre os filmes de Carmen Miranda é tão essencial quanto levantar e escovar os dentes para não ter cáries. Isso porque eles estão esquecidos, e não se pode esquecer uma parte tão importante do cinema e muito menos alguém tão importante quanto ela. Talvez este texto, que se propõe a falar singelamente sobre um de seus filmes, fale mais dela do que de qualquer outra coisa. Fazer o quê, se Carmen Miranda aparecia e roubava a cena? É o que acontece em todos os 11 filmes que ela fez.

domingo, 15 de junho de 2014

Um Lugar ao Sol (1951)


Dois ícones em ascensão e um diretor visionário aliados em uma grande produção só poderia resultar em um dos maiores clássicos de todos os tempos. A jovem Elizabeth Taylor tinha somente 17 anos na época das filmagens e já era bastante conhecida pela participação em filmes como "A Mocidade é assim mesmo" e "Quatro Destinos", sempre em papéis juvenis. Em 1951, isso estava prestes a mudar já que estava na mira da Paramount que aguardou o momento certo para oferecer-lhe o papel de Angela Vickers. Montgomery Clift mal tinha dado os primeiros passos e já era uma promessa desde que protagonizou "Tarde Demais" com Olivia de Havilland, dirigido por William Wyler. Parece que nada poderia dar errado e George Stevens merece todo o crédito por suas intuições na produção de "A Place In The Sun".

sábado, 14 de junho de 2014

Harry & Sally - Feitos um para o outro (1989)

 It is so nice when you can sit with someone and not have to talk.
 1979. Depois de um longo casamento com a também diretora Penny Marshall, Rob Reiner estava de volta ao mundo dos solteiros. Existe vida depois do divórcio? Parece que sim, afinal, e Rob levou dez anos para refletir, com certa dose de cinismo, acerca das relações entre homens e mulheres, e também como as duas partes veem as coisas de pontos de vista totalmente diferentes. Ele precisava fazer um filme sobre isso. Bem, Reiner tinha a visão masculina, é claro. Junto com o produtor Andrew Scheinman, ele desenvolveu várias ideias. Mas e o outro lado da moeda? Bastaram alguns telefonemas para Nora Ephron para convencê-la a roteirizar a história, que ainda não estava totalmente firme. Muitos almoços e jantares e telefonemas e discussões dos três depois, nascia o roteiro de Harry & Sally. De muitas maneiras, Rob era Harry, assim como Nora era Sally - e vice-e-versa.

Com um jeito Woody Allen de questionar relacionamentos, Harry & Sally fechou a década de 80 com chave de ouro. E trazia um questionamento que resumia bem seu espírito, assim como as diferenças entre o sexo masculino e o feminino: afinal, homens e mulheres podem ser amigos sem colocar o sexo no meio em algum momento da relação? E a resposta vem na forma de entretenimento cinematográfico da melhor qualidade, coroado por elenco e diálogos brilhantes.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Quando o coração floresce (1955)


"All my life I stayed at parties too long because I didn’t know when to go."
Ser solteira é quase... uma profissão, digamos assim. Não uma profissão fácil, nem sempre feliz. Você pode ir em qualquer festa e existe aquele clima aparentemente forçado de "somos todos muito felizes, que ótimo, que barato", etc, etc. E no fundo, todo mundo espera alguma coisa acontecer, a qualquer hora, como se nossa vida fosse um filme, e o ponto alto, ou mesmo o plot twist ainda não tivesse chegado. No fim das contas, a maioria das pessoas - ou as pessoas muito viciadas em cinema, como essa que vos fala - espera esse tal de milagre, que muda tudo, e aí toca Ain't no Mountain High Enough quando você anda na rua, e fica tudo ótimo. Bem, muitas vezes esse plot twist demora, e talvez não venha nunca. Na verdade, isso parece coisa de gente que vive no mundo da lua. Mas bem lá no fundo, todo mundo espera o mesmo.

Essa busca por algo que é difícil de ser nomeado, é um dos motivos que levam Jane Hudson (Katharine Hepburn), uma secretária de Ohio, até Veneza. Na história de Quando o coração floresce (Summertime), ela embarca em uma jornada de autodescoberta e de aventura, e descobre que o tal do milagre não é tãããão impossível assim de acontecer.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Alta fidelidade (2000)


"What came first, the music or the misery?"
Ah, os esnobes musicais! E quando eu digo esnobes musicais, me refiro aos hardcore ones. Você realmente não conhece (a rabugice de) Rob, Barry e Dick. Mas precisa conhecer. A vida desses caras é ditar o que é bom e o que é intragável, diferenciar o aceitável do vergonhoso... e fazer listas Top 5 de absolutamente tudo, não só de música. 

A cultura pop, desde que chegou ao mundo de mansinho nos anos 60, e logo varria tudo e todos, certamente teve grande influência no que somos hoje. Toda essa representatividade do pop (há quem chame de "cultura inútil". Obviamente, não sou uma dessas pessoas) está brilhantemente colocada na vida do personagem vivido por John Cusack em Alta fidelidade, filme baseado (e quase completamente fiel) no livro homônimo de Nick Hornby. É delicioso, é pop. E vai fazer você gostar (mais, muito mais) de música. E descobrir coisas nesse mundo fascinante das letras e melodias das quais você não tinha nem ideia.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Dance comigo (1938)


 
"Won’t you change partners and then, you may never want to change partners again..."
Não há como negar: Fred Astaire e Ginger Rogers simplesmente fizeram mágica nas telas e marcaram para sempre a história do cinema com seus musicais, com suas coreografias elaboradas e deliciosas de se assistir - obviamente, elas não eram tão deliciosas assim de serem gravadas, mas certamente, eles nos mostravam exatamente o contrário. Na tela, Fred e Ginger não dançavam; eles flutuavam. Simples assim. Tamanha química diante das telas não é para qualquer um. Depois de dez filmes juntos, a parceria ganhou ares de mito, e hoje é difícil falar de um, sem lembrar do outro.

Desses dez filmes, o mais lembrado é O picolino (Top Hat), de 1935, que também é considerado o melhor filme da dupla. No entanto, foi Carefree (em português, Dance Comigo) de 1938, o oitavo filme de Fred e Ginger que mais me cativou, o que mais me fez rir, o que tem as danças mais... mais Fred e Ginger de todas! E, pasmém - algo raro na filmografia dos parceiros de Cheek to cheek - eles até se beijam!

Nunca Astaire e Rogers foram tão bonitos, engraçados, e - por que não dizer? - sexy.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Rebecca, a mulher inesquecível (1940)


Ontem a noite sonhei que voltava à Manderley.
Já eu, ontem a noite, executei uma das tarefas pendentes desde janeiro deste ano: reassistir Rebecca, a mulher inesquecível. Isso porque tive a chance de ler o livro durante as férias, o que gerou um amor tão grande pela autora, Daphne Du Maurier, que comprei mais dois livros seus (ambos adaptados para o cinema também, sabe-se lá quando poderei falar sobre eles). Além disso, havia o fator Joan Fontaine, Lawrence Olivier também estava no elenco e tudo isso dirigido por nada mais nada menos que Hitchcock. Bora lá.

domingo, 2 de março de 2014

Trapaça (2013)


American Hustle (Trapaça, no Brasil) é dirigido por David O. Russell, indicado em várias categorias no Oscar do ano passado com O Lado Bom da Vida. Esse ano, seu novo filme traz novamente Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, mas é protagonizado por Christian Bale e Amy Adams. Trapaça é a maior aposta ao grande prêmio da Academia, ao lado de 12 anos de Escravidão, ambos com 10 indicações! Se você assim como eu, tinha na memória uma imagem inofensiva da Amy Adams na pele da jovem freira em Dúvida de 2008 ou Julie & Julia de 2009, pode se surpreender com o quanto sexy a vencedora do Globo de Ouro aparece aqui! Trapaça já chegou aos nossos cinemas e acompanha uma dupla de impostores que termina nas mãos de um agente do FBI.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Noivo neurótico, noiva nervosa (1977)

 

"Me lembrei de uma velha piada. O cara vai ao psiquiatra e diz: 'Doutor, meu irmão é louco. Ele acha que é uma galinha'. E o doutor diz: 'Por que você não o interna?'. E o cara responde: 'Eu até internaria, mas preciso dos ovos'. É mais ou menos o que sinto sobre relacionamentos. São totalmente irracionais, loucos e absurdos. Mas nós vamos aguentando porque precisamos dos ovos."

Diane Keaton e Woody Allen. The perfect match. Em minha opinião, é impossível falar sobre Annie Hall (me recuso a repetir o infame título brasileiro aqui), de 1977, sem falar na relação dos dois. Tudo que eles foram juntos está nesse filme.

A comédia romântica moderna atingiu seu ápice aqui, em uma época muito apropriada, considerando a revolução que aconteceu no cinema americano nos anos 70. Chega dos romances protagonizados por pessoas perfeitinhas e com aquela divisão clara: amor à primeira vista, depois o casal se odeia, alguma coisa acontece, tudo se resolve e final feliz - pelo menos não mais por enquanto. Não na década revolucionária do cinema. Não se você quer ser cool. E Annie Hall é exatamente sobre isso; é o romance moderno. E pop.

Começou como uma versão atualizada das comédias sofisticadas dos anos 30 protagonizadas por Spencer Tracy e Katharine Hepburn; acabou sendo um dos maiores clássicos do gênero e um marco na carreira de Woody Allen.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

De repente num domingo (1983)

O cinema é o contrário de um jornal televisivo


François Truffaut

O último filme de Truffaut, De repente num domingo, é um mergulho naquilo que o diretor acreditava ser o cinema: uma válvula de escape à realidade. Portanto, ao escolher o p&b e uma trama tipicamente de filme noir para seu último filme, o cineasta despedia-se do público voltando às origens de um tipo de cinema que parecia muito distante – e parece muito mais hoje em dia –  no começo dos anos 80.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

As diabólicas (1954)


Talvez você não os conheça de nome, mas certamente já tentou desvendar o mistério de alguma de suas histórias. Pierre Boileau e Thomas Narcejac foram talvez a fonte mais criativa de histórias para o cinema na década de 50 e 60. Esses dois caras, que escreviam juntos e utilizavam o nome artístico Boileau-Narcejac, foram os mestres do polar – o romance policial francês – nesse período. Um corpo que cai, de Hitchcock, é baseado em um de seus romances, Sueurs Froides. Além disso, outros filmes foram inspirados em suas histórias, como Maléfices dirigido por Henry Decoin. Boileau-Narcejac nem sempre são lembrados como os principais autores de romance policial francês; não em um mundo em que existe Arsène Lupin e Maigret. Apesar de ser uma pena, não enxergo isso como um problema, pois esses dois autores estão na cabeça de muitas pessoas que assistiram Um corpo que cai e As diabólicas, que acabaram se tornando dois chef-d’oeuvre da obra de Boileau-Narcejac. E, senhores, As diabólicas é talvez o melhor filme noir que você já viu na vida.