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sábado, 14 de dezembro de 2013

O galante Mr. Deeds (1936)


Frank Capra foi, definitivamente um dos melhores diretores que o cinema já teve. Pena que não tem hoje o devido reconhecimento como tantos outros da mesma época. Em grande parte dos seus filmes, Capra expôs a sua visão do americano idealizado de bom coração, antimaterialista e a ideia de que quem tem amigos na vida, tem tudo. Em O galante Mr. Deeds, que deu à Capra seu segundo Oscar, ele apresentou a história de um de seus personagens idealizados (e um dos mais queridos também), que conquistam de imediato o espectador. Mostrando ainda o contraste entre a cidade pequena, com seus valores tradicionais e relações próximas, contra a frieza, o egoísmo e a falsa sofisticação da cidade grande, com suas luzes enganadoras, Mr. Deeds é um filme doce, capaz de arrancar suspiros saudosistas de quem o assiste e mesmo trazer à tona aquele eterno questionamento de quem assiste filmes antigos demais: por que não se fazem mais filmes assim? 

É o efeito Frank Capra.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Recomeçar (2003)



Sempre digo que os filmes me escolhem; não eu a eles. No dia em que tomei conhecimento de Recomeçar, eu estava lendo um pouco mais sobre Anne Reid, a protagonista de Last tango in Halifax. Ela tinha feito esse filme em 2003 e tinha ganhado muitos prêmios com ele. Mas o curioso era que ninguém falava sobre os prêmios ou sobre sua atuação; apenas sobre as cenas “polêmicas” de sexo que havia entre ela e Daniel Craig no filme. Se há algo que eu deveria evitar nessa vida é ler comentários alheios. No entanto, nunca aprendo. De repente, estou embarcando em uma overdose de comentários preconceituosos, que me dão vontade de vomitar e fazem com que eu me pergunte se essas pessoas vivem no mesmo mundo que eu. Voilà, foi o que aconteceu com Recomeçar. Comecei a ler as opiniões sobre o filme e nunca me deparei com tanto preconceito na minha vida. Basicamente as pessoas criticavam o filme por ter mostrado cenas de sexo entre uma mulher mais velha e um homem mais novo tão explicitamente. Como se as pessoas sexagenárias que fazem sexo fossem sujas ou não dignas de respeito. Aquilo atiçou ainda mais minha curiosidade de ver o filme. Eu achava que tinha um dever moral de vê-lo e relatá-lo para as pessoas que me leem aqui.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Como não perder essa mulher (2013)


Vivemos hoje na era do supérfluo, das coisas artificiais, objetivas e cada vez mais dinâmicas, e isso, obviamente, não poderia deixar de se refletir na forma como lidamos com os relacionamentos amorosos. O caso dos aplicativos que permitem ao usuário avaliar o desempenho e a aparência dos seus parceiros e que gerou polêmica recentemente, está aí para provar isso. Nesse contexto, Don Jon, a estreia de Joseph Gordon-Levitt na direção, mostra como essa artificialidade aliada às expectativas criadas (muitas vezes sob a influência da mídia) acaba prejudicando a visão que se tem do parceiro ideal e dos relacionamentos em geral.

O Expresso da Meia-Noite (1978)


Baseado na história real de Billy Hayes detido na Turquia quando tentava ultrapassar a fronteira com uma quantidade desconhecida de drogas. O jovem americano descobre da pior forma que a constituição dos EUA não está em seu passaporte quando comete um erro no exterior. O estúdio apostou em um ator novato, um roteirista novato e o diretor estreante Alan Parker (Mississipi Burning, Evita, A Vida de David Gale), que só tinha realizado um filme independente, até então.

Em 16 de maio de 1978, O Expresso da Meia-Noite participou do Festival de Cannes sob protestos turcos. Na Holanda, representantes da Turquia foram aos tribunais para banir Midnight Express, mas o juiz determinou que o filme seria exibido. Quarenta e um dias depois de o filme ser exibido em Cannes, os Estados Unidos e a Turquia iniciaram as negociações formais para a troca de prisioneiros.

sábado, 7 de dezembro de 2013

A morte lhe cai bem (1992)



Durante toda minha vida, uma imagem sempre me acompanhou: a de uma mulher sendo atirada do pé de uma escada, caindo e quebrando o pescoço. Eu tentava lembrar de que filme era e nunca conseguia. Até o dia em que, não sei como, descobri que a mulher caindo era Meryl Streep e que esse era o ponto de virada de A morte lhe cai bem. Esse filme, acho eu, é um clássico da minha geração. É muito difícil encontrar alguém que não lembre pelo menos dessa cena da escada. No entanto, às vezes parece que A morte lhe cai é só um filme de comédia. Só que não. Depois de olhar 500 vezes (falando sério, acho que já assisti mais de 20 vezes esse filme, se contarmos que durante uma época eu o assistia todas as noites antes de dormir), você começa a perceber o quão refinado ele é em termos de conteúdo.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Os amores secretos de Eva (1955)



Dizem as más línguas que Joan Crawford interpretou a si mesma nesse filme. A egoísta, manipuladora, charmosa, inescrupulosa Eva Phillips seria uma extensão do caráter da atriz. Verdade ou não, Queen Bee (Os amores secretos de Eva no Brasil) é um filme muito interessante, merecedor de uma boa review neste blog principalmente pela pegada Tennessee Williams que apresenta.

Queen Bee é um tapa de luva naqueles que acreditavam que uma atriz chegando aos 40 não poderia interpretar o papel de uma maneater (Nelly Furtado feelings) no cinema. Hollywood dos anos 50, sabe como é, medo da televisão tomar conta,– o que realmente aconteceu mais tarde -  por isso quanto mais juventude na tela melhor. Mas se seu nome é Joan Crawford, não importa o quão as pessoas digam que você é veneno de bilheteria, elas continuam indo ao cinema ver seus filmes. Elas continuam achando que você é diva. Queen Bee é a prova maior de que Joan Crawford era uma diva sem idade.


Drácula (1931)


Quando Carl Laemmle fundou a Universal Pictures em 1915,  um dos projetos que logo considerou para a produção, como filme mudo, foi o clássico filme de terror, Drácula de Bram Stoker. Dezesseis anos depois, a Universal finalmente produziu o primeiro filme de terror sobrenatural falado.

"Ninguém entendia ao certo na época, coisas como mansões quebradas, em ruínas com enormes teias de aranha. Havia tatus correndo e morcegos voando. Na verdade, Browning e a Universal são responsáveis por quase toda a iconografia que associamos a filmes de terror. Capas longas, escadarias, mofo e podridão, aranhas e morcegos. Tudo que agora é da matinê de sábado, coisas para crianças, veio de Drácula." - Bob Madison (Film Historian)