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domingo, 15 de junho de 2014

Um Lugar ao Sol (1951)


Dois ícones em ascensão e um diretor visionário aliados em uma grande produção só poderia resultar em um dos maiores clássicos de todos os tempos. A jovem Elizabeth Taylor tinha somente 17 anos na época das filmagens e já era bastante conhecida pela participação em filmes como "A Mocidade é assim mesmo" e "Quatro Destinos", sempre em papéis juvenis. Em 1951, isso estava prestes a mudar já que estava na mira da Paramount que aguardou o momento certo para oferecer-lhe o papel de Angela Vickers. Montgomery Clift mal tinha dado os primeiros passos e já era uma promessa desde que protagonizou "Tarde Demais" com Olivia de Havilland, dirigido por William Wyler. Parece que nada poderia dar errado e George Stevens merece todo o crédito por suas intuições na produção de "A Place In The Sun".

sábado, 14 de junho de 2014

Harry & Sally - Feitos um para o outro (1989)

 It is so nice when you can sit with someone and not have to talk.
 1979. Depois de um longo casamento com a também diretora Penny Marshall, Rob Reiner estava de volta ao mundo dos solteiros. Existe vida depois do divórcio? Parece que sim, afinal, e Rob levou dez anos para refletir, com certa dose de cinismo, acerca das relações entre homens e mulheres, e também como as duas partes veem as coisas de pontos de vista totalmente diferentes. Ele precisava fazer um filme sobre isso. Bem, Reiner tinha a visão masculina, é claro. Junto com o produtor Andrew Scheinman, ele desenvolveu várias ideias. Mas e o outro lado da moeda? Bastaram alguns telefonemas para Nora Ephron para convencê-la a roteirizar a história, que ainda não estava totalmente firme. Muitos almoços e jantares e telefonemas e discussões dos três depois, nascia o roteiro de Harry & Sally. De muitas maneiras, Rob era Harry, assim como Nora era Sally - e vice-e-versa.

Com um jeito Woody Allen de questionar relacionamentos, Harry & Sally fechou a década de 80 com chave de ouro. E trazia um questionamento que resumia bem seu espírito, assim como as diferenças entre o sexo masculino e o feminino: afinal, homens e mulheres podem ser amigos sem colocar o sexo no meio em algum momento da relação? E a resposta vem na forma de entretenimento cinematográfico da melhor qualidade, coroado por elenco e diálogos brilhantes.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Alguém tem que ceder (2003)



Como é engraçada essa relação com filmes. Eu os comparo com as pessoas às vezes: temos aqueles que não suportamos de maneira alguma, outros que até que vai e os que amamos de todo o coração. E a categoria mais importante dos filmes, aqueles que amamos tanto que chega a ser insuportável rever. Minha relação com Alguém tem que ceder é assim. Desde que o vi no cinema, no dia dos namorados do ano de 2003, com minha mãe, esse filme tem sofrido altos e baixos. Há épocas em que simplesmente me proíbo de vê-lo com medo dos efeitos colaterais. Épocas em que penso que nenhum personagem de cinema pode dizer tanto sobre mim quanto a Erica Barry encarnada por Diane Keaton em Alguém tem que ceder. E há outras épocas em que aceito que a carga emocional que ele me desperta é algo que precisa ser revivido, pelo bem da sétima arte, de vez em quando. Essa é minha ode a todos os românticos que leêm este blog. Alguém tem que ceder é sobre nós, que não temos medo de ceder quando necessário. 

O leitor deve estar se perguntando o que faz desse filme algo tão poderoso que me faça passar épocas sem revê-lo. Primeiramente eu diria que Alguém tem que ceder está para os anos 2000 como Annie Hall estava para os anos 70.  Esqueça aquelas comédias românticas pastelonas, como bem lembrou a Camila em seu post sobre Annie Hall, onde o protagonista encontra a mocinha, eles se odeiam, se apaixonam loucamente e vivem felizes para sempre. Não. Porque embora os personagens de Jack Nicholson e Diane Keaton se odeiem e se amem depois, o final feliz não é algo que vem de bandeja nesse filme. Alguém tem que ceder utiliza fórmulas clássicas desse gênero de filme e cria uma história espetacular, cheia de reviravoltas e diálogos maravilhosos. É a comédia romântica com mais frases inteligentes e espirituosas por minuto que já vi! Alguém tem que ceder é um filme verdadeiro assim como seus personagens. E é aí que ele ganha nossos corações. Além daquele sofrimento todo ao som de música francesa.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Quando o coração floresce (1955)


"All my life I stayed at parties too long because I didn’t know when to go."
Ser solteira é quase... uma profissão, digamos assim. Não uma profissão fácil, nem sempre feliz. Você pode ir em qualquer festa e existe aquele clima aparentemente forçado de "somos todos muito felizes, que ótimo, que barato", etc, etc. E no fundo, todo mundo espera alguma coisa acontecer, a qualquer hora, como se nossa vida fosse um filme, e o ponto alto, ou mesmo o plot twist ainda não tivesse chegado. No fim das contas, a maioria das pessoas - ou as pessoas muito viciadas em cinema, como essa que vos fala - espera esse tal de milagre, que muda tudo, e aí toca Ain't no Mountain High Enough quando você anda na rua, e fica tudo ótimo. Bem, muitas vezes esse plot twist demora, e talvez não venha nunca. Na verdade, isso parece coisa de gente que vive no mundo da lua. Mas bem lá no fundo, todo mundo espera o mesmo.

Essa busca por algo que é difícil de ser nomeado, é um dos motivos que levam Jane Hudson (Katharine Hepburn), uma secretária de Ohio, até Veneza. Na história de Quando o coração floresce (Summertime), ela embarca em uma jornada de autodescoberta e de aventura, e descobre que o tal do milagre não é tãããão impossível assim de acontecer.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Fedora (1978)



Uma ode ao cinema clássico e suas divas. Crise de identidade. Crítica ferrenha ao cinema americano dos anos 70. William Holden. Com essa mistura mais atraente que o bolo de chocolate da minha avó, Billy Wilder despediu-se do cinema. Estamos falando de seu último filme, Fedora.

Quando Billy Wilder chutou o pau da barraca no ano de 1951 e denunciou através de seu filme, Crepúsculo dos deuses, toda a trairagem de Hollywood, ninguém fazia ideia de que esse filme se tornaria um tour de force do cinema, um clássico do gênero noir. Mas ao contrário do que aconteceu com muitos diretores, Billy não ficou preso a um único gênero de filme. Dirigiu o Cidadão Kane dos filmes noir, Pacto de sangue. Fez comédias como Quanto mais quente melhor e Se meu apartamento falasse, que entraram para o must see dos cinéfilos de ontem, hoje e sempre. Também tivemos suas parceiras com Marlene Dietrich em Testemunha de acusação e A mundana. Porém, como um filho pródigo sempre volta sua casa, Billy escolheu voltar para aquilo que, na minha opinião, ele sabia fazer melhor: sambar na cara de Hollywood. Fedora é um Crepúsculo dos Deuses reinventado, com um toque de absurdo.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Alta fidelidade (2000)


"What came first, the music or the misery?"
Ah, os esnobes musicais! E quando eu digo esnobes musicais, me refiro aos hardcore ones. Você realmente não conhece (a rabugice de) Rob, Barry e Dick. Mas precisa conhecer. A vida desses caras é ditar o que é bom e o que é intragável, diferenciar o aceitável do vergonhoso... e fazer listas Top 5 de absolutamente tudo, não só de música. 

A cultura pop, desde que chegou ao mundo de mansinho nos anos 60, e logo varria tudo e todos, certamente teve grande influência no que somos hoje. Toda essa representatividade do pop (há quem chame de "cultura inútil". Obviamente, não sou uma dessas pessoas) está brilhantemente colocada na vida do personagem vivido por John Cusack em Alta fidelidade, filme baseado (e quase completamente fiel) no livro homônimo de Nick Hornby. É delicioso, é pop. E vai fazer você gostar (mais, muito mais) de música. E descobrir coisas nesse mundo fascinante das letras e melodias das quais você não tinha nem ideia.

sábado, 10 de maio de 2014

A vida é uma dança (1940)



Uma semana em casa comendo canja de galinha e baixando filmes nos deixa preguiçosos. Você não tem mais disposição para escrever porque nenhum filme que você viu durante essa semana de repouso o motivou suficientemente. Então lá estava eu, pensando no próximo filme para baixar, quando me deparei com A vida é uma dança de Dorothy Arzner. A princípio baixei por causa de Lucille Ball, esse é um dos poucos filmes disponíveis dos milhões que ela fez antes de se tornar a queridinha da América com seu seriado. Porém, eu deveria acreditar mais naquela frase clássica que sempre repito por aqui: os filmes é quem me escolhem; não eu a eles. Porque foi exatamente isso que aconteceu com  A vida é uma dança. A temática transgressora para sua época, uma MULHER na direção (quando poderíamos imaginar isso na Hollywood da era de ouro, que era pior do que a de hoje em dia?) e uma história que consegue dar o seu recado: assim é essa produção da RKO. 

Providencie o arquivo do Torrent; esse filme vale realmente a pena ver.