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terça-feira, 8 de julho de 2014

Dez cenas mais sensuais do cinema

Às vezes a magia no cinema está naquilo que a câmera não diz, que nos deixa pensando. Chamamos esse processo de elipse. Outras vezes, a graça está justamente no que a câmera nos revela, mas de um jeito todo especial. Hoje decidimos eleger as 10 cenas mais sensuais do cinema.

Mostrar a sensualidade e o sexo no cinema sempre foi um processo de ilusão na minha opinião. O erotismo no cinema nos fascina, embora esteja sempre distante da realidade. Ninguém pensa em transar como nos filmes, isso não existe. Não importa. Ver uma bela cena de amor no escurinho do cinema tem seu valor. Desde o surgimento do cinema, os diretores mostraram o sexo de diversas formas. Quando o código Hayes de censura chegou em Hollywood, essas pessoas provaram que podiam falar de sexo através de metáforas e elipses. Depois com a revolução de 1960, as cenas se tornaram mais “reais”, tentando se aproximar do nosso cotidiano. Selecionamos cenas para todos os gostos, desde as mais poéticas até as mais explícitas, por vezes até chocantes. Cenas que, de alguma forma, quebraram padrões na maneira como o sexo e o erotismo é tratado nos filmes.

Não foi fácil elaborar a lista, confesso. Também confesso que meu gosto pessoal influenciou bastante nela. Por isso, se lembrarem de alguma cena que ficou de fora, escrevam na valorosa caixa dos comentários!

Vamos ao nosso top 10?

Quando Descem as Sombras (1964)


"Quando você sonha, penetra em outro mundo

onde tudo é estranho e terrífico, um mundo que só existe na noite.
Quando você sonha, você se transforma num caminhante noturno!"

Dirigido por William Castle, esse thriller inesquecível estrelado por Barbara Stanwyck e Robert Taylor tem como roteirista ninguém menos que Robert Bloch (autor de Psycho) que era a aposta da vez para quem pretendesse produzir um filme do gênero. Em 1964, Barbara Stanwyck já voltara sua carreira para a televisão, onde fazia sucesso com o programa The Barbara Stanwyck Show. The Night Walker (Quando Descem as Sombras) é uma boa oportunidade de matar as saudades da estrela de "Double Indemnity" e "Sorry, Wrong Number" que soma ao currículo mais um suspense de causar arrepios!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Até a vista, querida (1944)


Philip Marlowe e Helen Grayle.

Por que as histórias de crimes nos fascinam tanto? Por que, mais de 50 anos depois, os filmes noir continuam nos encantando e sendo objeto de estudo? Simples: eles contam muito mais o que mostram. É possível ler e reler os filmes noir (e seus livros também) de diferentes formas. Podem ser lidos como um retrato da época em que foram lançados, como uma narrativa de nossos tempos atuais. Recentemente fiz um trabalho para faculdade em que comparava Crime e Castigo de Dostoiévski justamente com Adeus, minha adorada, romance que deu origem ao filme. Mas isso é assunto para outro post. O fato é que o filme noir nunca cansa de nos fascinar, embora sua fórmula quase sempre seja a mesma.

O que nos faz assistir a esses filmes, então, se já sabemos mais ou menos como funciona?

Porque os arquétipos do noir nunca nos cansam, é por isso. E por mais que “saibamos” como funciona, a história sempre nos surpreende. É o que acontece em Até a vista, querida. A farinha, a liga, digamos assim, do noir está ali. Temos a femme fatale, o detetive durão mas no fundo de coração mole, o senso de desorientação. Tudo isso sedimentado em um romance de Raymond Chandler, um autor cujo Hollywood bebeu até a última gota. Ela se aproveitaria dessa fonte criativa que é Chandler adaptando romances como O sono eterno (The big sleep) para o cinema, imortalizando o detetive Philip Marlowe como Humphrey Bogart, dois anos depois de Até a vista, querida. A fonte era lucrativa e o Marlowe de Raymond gozava de popularidade entre o público americano.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Última Noite de Boris Grushenko (1975)

"Amar é sofrer. Para evitar o sofrimento, um não deve amar. Mas então, um sofre por não amar. Portanto, amar é sofrer; não, amar não é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar. Ser feliz então é sofrer, mas sofrer te faz infeliz. Portanto, para ser infeliz, um deve amar, ou amar o sofrimento, ou sofrer de demasiada felicidade"
Uma mistura de Tolstói e Dostoiévsk (sobretudo de referências à Guerra e Paz e Os irmãos Karamazov, de onde Woody tirou  o nome do protagonista), questões existenciais, referências ao cinema de Ingmar Bergman e o humor físico de Buster Keaton, A Última Noite de Boris Grushenko (no original, Love and Death) é uma das grandes obras de Woody Allen, e o melhor da sua fase-pastelão dos anos 70. Além do mais, é a primeira fase da parceria frutífera com Diane Keaton, que comentei mais a fundo no post sobre Annie Hall. Aqui, Woody debocha da vida num geral, e faz rir com piadas e gags que surgem no ritmo de uma metralhadora.

#Séries: Bates Motel


Série da A&E inspirada no livro de Robert Bloch e no filme de Alfred Hitchcock. O plot é simples, o que aconteceu antes de Norman se tornar "psicótico". Na verdade, é um tanto audacioso pensar "vamos pegar esse personagem que todos já conhecem e contar mais sobre ele!"Mais que um suspense, é uma série de ação. Os roteiristas dividem-se entre mergulhar na consciência de Norman e explorar os conflitos maternos e ainda criar novas situações de suspense para atrair espectadores. Esse é um dos grandes desafios, satisfazer a nostalgia dos fanáticos pela história original e também cativar outro público que não assistiu o filme e acompanha a série. Na época do lançamento estava empolgado e desconfiado, acredito que muitos fãs do "legado" do filme original desconfiam no que diz respeito as adaptações do seriado para a televisão. Então vamos falar de Bates Motel...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

As ligações perigosas (1959)



Nada mais certeiro do que os créditos de abertura de As ligações perigosas serem um tabuleiro de xadrez. A metáfora utilizada pelo diretor Roger Vadim poderia resumir o filme e até mesmo a vida. No xadrez cada movimento que fazemos necessita de precisão. Ele deve ser calculado, as perdas e o ganho de mexer nessa ou naquela peça. Em As ligações perigosas, as pessoas são as peças, mas quem é a jogadora? Bem, digamos que ela seja nada mais nada menos do que Jeanne Moreau.



A releitura de Roger Vadim do romance epistolar de Choderlos de Laclos gerou polêmicas, o que é interessante se pensarmos que já estávamos as portas dos anos 60. Como uma adaptação livre de um romance mais velho que a sua avó poderia ainda chocar as pessoas? Simples, é só ambientá-lo na Paris dos ricaços e colocar Jeanne Moreau no papel principal, que era considerada uma mulher indecente para a época. Mas logo falaremos sobre isso. O resto deixe por conta da palavra “adaptação” que por si só suscita discussões ferrenhas.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Aconteceu em Havana (1941)


Ela está no nosso imaginário, na construção de nossa subjetividade como brasileiros e pessoas. Carmen Miranda, assim como o futebol, é uma parte de nós, daquilo que é ser brasileiro. Mas se a influência do futebol é visível, a de Carmen não parece muito clara para nós. É até mesmo controversa. Para alguns, ela traiu o movimento ao se mudar para Hollywood, outros permanecem orgulhosos com o fato dessa atriz de origem portuguesa e nascida no Brasil representar um pedacinho do Brasil na era de ouro do cinema em Hollywood.

Não há ninguém que não a reconheça com seu turbante de frutas, fazendo uma dança pra lá de sensual numa época em que requebrar os quadris como a Shakira era um crime contra a decência. Alguns se lembrarão dela ao lado de sua irmã, Aurora, ao lado de Zé Carioca e Pato Donald cantando Aquarela do Brasil. Partidários ou não de Carmen, temos de admitir que ela exerceu uma grande influência em Hollywood. Mais emblemático do que Lucille Ball imitando Carmen Miranda em seu seriado para mim não há. 

Falar sobre os filmes de Carmen Miranda é tão essencial quanto levantar e escovar os dentes para não ter cáries. Isso porque eles estão esquecidos, e não se pode esquecer uma parte tão importante do cinema e muito menos alguém tão importante quanto ela. Talvez este texto, que se propõe a falar singelamente sobre um de seus filmes, fale mais dela do que de qualquer outra coisa. Fazer o quê, se Carmen Miranda aparecia e roubava a cena? É o que acontece em todos os 11 filmes que ela fez.