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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Entre portas fechadas (1929)



Nessas andanças de ler a mais recente biografia sobre Barbara Stanwyck, escrita por Victoria Wilson, acabei entrando no mundo de Missy e está difícil sair. Vocês podem notar pela frequência com que tenho falado sobre seus filmes por aqui. Mas explico: estou lendo o livro e assistindo aos filmes que ainda não vi ao mesmo tempo. Tenho a sensação de que estou estudando para um mestrado imaginário ou fazendo uma imersão no país imaginário onde esta mulher viveu.

O livro de Victoria Wilson tem apenas mais 1000 de páginas, foi lançado ano passado e esmiúça detalhe por detalhe da vida de Missy. Vários amigos  comentam: mas haja vida, hein. Ao dizer que esse é só o Volume Um, que vai de 1907 até 1940, eles ficam ainda mais apavorados. Explico novamente: é que vários personagens de sua vida possuem mini-biografias dentro do livro. Além disso, Wilson preocupou-se em fornecer ao seu leitor um retrato histórico dos tempos em que Dona Missy vivia. Eu tenho achado ótimo.

Por que escolhi falar sobre mais um filme de Missy? – você deve estar se perguntando. Vamos elencar algumas razões:

a) Entre portas fechadas foi o primeiro filme sério da carreira da moça;
b) Insinuação de estupro, sororidade e outros temas relacionados à mulher dominam a trama;
c) Porque é Missy, oras!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Magia ao luar (2014)


"I believe that the dull reality of life is all there is,
but you are proof that there's more, more mystery, more magic."

A tradição de ir ao cinema para ver o filme anual de Woody Allen não decepciona. Desde Meia-noite em Paris eu tenho seguido esse costume à risca. E sempre procuro levar alguém comigo, pois sei que vão me agradecer depois. No entanto, esse ano só consegui ver Magia ao luar, o filme dele desse ano, aos 45 do segundo tempo. Faziam dois meses que eu surtava com o trailer, e com o fato de ter Colin Firth em um filme do Woody Allen. Mas, como os cinemas da minha cidade dão preferência aos blockbusters, um mês da estreia se passou - e nada. Já resignada com a tradição sendo quebrada esse ano, descobri que - finalmente - o filme iria passar na cidade, durante uma mísera semana. E arrastei minha irmã e minha melhor amiga comigo nessa empreitada. 

E como todo bom filme de Woody Allen, ao final temos:

a) Um personagem que representa o próprio Woody dentro da história;
b) Um personagem feminino maravilhoso;
c) Uma trilha sonora encantadora;
d) O diretor tirando o melhor dos seus atores;
e) O desejo de que Allen viva até os 150 anos para continuar nos dando um filme por ano.

Fazendo promessas para Nossa Senhora dos Filmes Ótimos já!

#Vídeos: #Top 6: coisas que mais irritam fãs de cinema clássico




 - Aluguei um filme da Barbara Stanwyck pra gente ver. 
- Ai que legal! Alugou 'Nosso amor de ontem'? Esse é muito bom!
- Cara, eu não tô falando da Barbra STREISAND

A Doris Day é a cara da Xuxa.

Prefere Bette Davis ou Joan Crawford?

Mas a malvada não é a Bette Davis?

TEM VÍDEO NOVO NO AR! 

Para começar bem a semana, resolvemos fazer uma compilação das coisas que mais enfurecem fãs de cinema clássico. 

E você, o que mais te irrita como fã de cinema clássico?

(esse vídeo poderia ter 847847 partes, só acho)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Oito Mulheres (2002)



Hoje uma das maiores atrizes francesas da atualidade está completando 71 anos: Catherine Deneuve. Citada nos livros didáticos de FLE (Francês Língua Estrangeira), queridinha de diretores como François Truffaut, La Deneuve é uma figura que nos fascina desde os anos 60, quando estreou no cinema ao lado de sua irmã, Françoise Dorléac. Mas por quê? 

A primeira coisa que vem à mente quando falamos sobre Catherine Deneuve é a sua lendária frieza. Frieza esta que sempre está associada a sua beleza estonteante. No entanto, se você começa a assistir aos filmes que ela fez/faz, vai reparar que a tal "frieza" muitas vezes ofusca os papéis sensíveis que ela interpretou. Se você assistiu Indochina, sabe do que estou falando. Você quase rasga o coração! Hoje o Cine Espresso homenageia esta lacradora do cinema francês falando sobre um desses filmes, em que a carapaça de fria esconde uma personagem muito complexa e sensível. Oito mulheres é, para mim, um dos maiores filmes franceses dos últimos anos.

Carta de Uma Desconhecida (1948)

"Quando você ler esta carta, eu já devo estar morta"

Hoje seria aniversário da eterna Joan Fontaine e nada mais adequado do que comemorar revendo um de nossos filmes prediletos dela, um dos romances mais inesquecíveis de todos os tempos! O diretor Max Ophüls reafirma em "Letter from an unknown woman" sua característica atenção aos detalhes, a parte técnica de seus filmes revelam todo seu perfeccionismo... além de extrair o que Fontaine e Jourdan tinham de melhor.

Esse é um filme para marejar os olhos e se envolver com os personagens. Pegue um lencinho aí e prepare a sessão!

#Vídeos: Núpcias de escândalo (1940)



A srta. Tracy Lord gostaria de convidá-los para a cerimônia de suas segundas núpcias. Ela só pede desculpas, pois não tem certeza ainda de quem será o noivo!

Tem vídeo novo no ar!

Considerada uma das melhores comédias românticas de todos os tempos, "Núpcias de escândalo", dirigido por George Cukor, reuniu três dos melhores atores que Hollywood já teve: Katharine Hepburn, Cary Grant e James Stewart. Além do mais, a história, que teve sua personagem criada baseada na própria Kate, conseguiu o que até então parecia impossível: tirou a atriz do flop.

Fica, vai ter bolo (de noiva) no Cine Espresso!

domingo, 19 de outubro de 2014

#Top 5: Cinco filmes noir com Barbara Stanwyck que você deveria assistir



Estou ligando para perguntar se o Cine Espresso não tem outra pauta que não seja Barbara Stanwyck. ASSIM NÃO DÁ, GENTE!!!!

Barbara Stanwyck e noir é como o trecho desta música : “Amor sem beijinho, Buchecha sem Claudinho, sou eu assim sem você”. Não conseguimos separar uma coisa da outra. Mas, não se engane, essa linda também é a rainha dos Westerns (mais um Top 5 no forno, sim ou claro?). Em minha humilde posição de fã, arriscaria dizer que ninguém se ajusta tão bem às ideias do noir quanto ela. Pensando nisso, elaboramos um top 5 dos melhores noir estrelados por ela. Porque, afinal de contas, não é só de Pacto de Sangue que vive o homem, não é mesmo?

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Aos mestres, com carinho: cinco professores marcantes do cinema


Hoje é o dia que comemora uma das mais antigas e também, eu diria, difíceis profissões que existem. E você só descobre o quão árdua é quando está do outro lado. Sim, é o dia do professor! A fulana que vos fala é formada na profissão, aliás. E, é claro, também por causa disso, sempre me interessei por filmes cujos protagonistas são os mestres da educação. E existem aqueles professores da ficção que mudam vidas, ensinam e aprendem grandes lições - e outros que tem a profissão como um meio alternativo e ~~normal~~, de ganhar a vida. É por isso que hoje eu listo aqui cinco professores das telas que marcaram a minha relação com o cinema.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Nada de novo no front (1930)



Nada de novo no front (All quiet in the western front) poderia ter sido mais um filme anti-guerra, exceto por dois motivos: a) ele foi lançado em um momento histórico de muita tensão, a ascenção do nazismo na Alemanha; b) ter sido um filme temido por Hitler. Sim, você não leu errado. Hitler temia Nada de novo no front, pois era um ataque claro aos ideais utópicos de guerra. Ele sabia como ninguém o poder que o cinema exercia sobre as pessoas, e um filme como este desestabilizava a poderosa ferramenta que a guerra era.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

#Vídeos: #Séries: Dallas (1978 - 1991) - Comentários




"Dallas" foi uma série de televisão americana, exibida entre 1978 e 1991 pelo canal CBS, de muito sucesso nos anos 80. 

Comentamos sobre os célebres cliffhangers, a continuação executada pelo canal TNT e os personagens tão fascinantes do mundo de Southfork.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dilema de uma consciência (1951)


Vocês conhecem aquela música do grupo Só pra Contrariar, Mineirinho (não vou ler um post em que citam esse grupo farofeiro)? Nela tem um verso que poderia resumir muito bem minha relação, e acredito que a dos meus colegas de Cine Espresso também, com Doris Day: “O meu tempero faz quem provar se amarrar”. Doris Day pode representar o conservadorismo em pessoa, mas a verdade é que ninguém tinha esse tempero tão especial quanto ela. A moça era talentosa e infelizmente não foi valorizada como deveria. Toda vez que estou com um filme dela nas mãos, fico pensando no nível de farofa/polentice que virá. E aí você se pergunta: será que essa mulher nunca fez um filme que não seja polenta? A resposta é: SIM! E é desse filme que falaremos hoje: Dilema de uma consciência.

Na verdade, eu diria que Dilema de uma consciência usou a tal “polentice” de Doris (aka seu charme interioriano de Cincinnati, Ohio) de forma a construir um personagem convincente, vitimizado e que nos irrita e cativa ao mesmo tempo. Além disso, a polentice de Doris é confrontada com outra atriz, que ficou relegada aos filmes com Fred Astaire: Ginger Rogers. O filme é uma ótima oportunidade para vermos as duas atrizes saindo da zona de conforto e mostrando toda a extensão de seu talento.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Seu Único Desejo (1955)


Primeiramente, tenho que compartilhar a dificuldade que tive pra encontrar esse filme. Fiquei ansioso para assistí-lo no minuto em que soube que Anne Baxter e Rock Hudson protagonizaram um (dramalhão) romance juntos! Com uma fotografia exuberante em technicolor e uma trama bastante ousada, "One Desire" nos hipnotiza por uma hora e meia.

Anne Baxter já havia emplacado alguns filmes na década de 50, como Eve ou o suspense "A Tortura do Silêncio" de Alfred Hitchcock. Mas o galã do filme dirigido por Jerry Hopper tinha recém estourado em "Sublime Obsessão", às vezes penso na carreira de Rock em antes e depois de Giant , como se antes ainda houvesse algo a provar. O filme retrata o relacionamento aberto de um apostador e a cafetina dona de um cassino.

#Tradução: Em busca do hipertendido, uma crítica ao filme "Uma rua chamada Pecado"

                                                    
Em busca do hipertendido


Cahiers du Cinéma, Número 12, maio de 1952
Renaud de Laborderie
Traduzido por Jessica Bandeira

É evidente que este filme representa um louvável esforço rumo à qualidade e que não foi absolutamente concebido e dirigido para agradar o gosto do espectador médio americano cuja idade mental, segundo as estatísticas, está em torno dos 12 anos. A peça, que está quase perto de ser uma fiel transposição, estava destinada a um público bastante exclusivo e “sophisticated” da Broadway, que, por assinar o jornal New Yorker, gosta de ter alguma responsabilidade cultural, algum interesse pelas afetações nuançadas de intrigas dramáticas ditas avant-garde. Estamos, então, prevenidos: o filme será inteligente, hábil, sutil. Mas também será para Chaplin o que Christian Bérard é para Picasso e o que Henry Sauguet é para Strawinsky. 

Trata-se de um filme de autor, muito mais que nenhum outro, e a presença desse autor, Tennessee Williams, o coage até que ele sufoque. Pergunto-me se o espectador que entra por acaso, atraído pelo cartaz friamente erótico do qual os distribuidores, conscientes da hermética inteligência do título, pediram algum socorro, entenderá bulhufas do desenrolar dessa história estranha, contada às vezes, convenhamos, com muita arte. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

#Tradução: O Último Adeus de Bette Davis


"Documentário sobre os últimos dias de Bette Davis estréia em festival de filmes na Espanha, realizado com a dignidade e respeito que merece"

A última aparição pública de Bette Davis aconteceu a 25 anos no Festival San Sebastian na Espanha em 1989, e sua morte, que a estrela sabia que era eminente, ocorreu pouco tempo depois num hospital na França. Tais acontecimentos garantiram a ela um lugar especial no coração dos fanáticos por cinema na Espanha, desesperados por um pouco de glamour após 40 anos de Franco. "Bette Davis Bids Farewell" relata a história daqueles dias de afeição, homenagens divertidas, algumas emocionantes e sempre respeitosas.

Com detalhes superficiais no que diz respeito a San Sebastian deixados para trás, o diretor Pedro Gonzales Bermudez utiliza uma abordagem sem rodeios para documentar quase que hora por hora, acontecimentos detalhados desde a chegada da atriz no aeroporto em San Sebastian até sua última viagem para a França. Ele fez um bom trabalho na busca de praticamente todos que tiveram contato direto com ela durante aqueles poucos dias. E outros que não tiveram, mas que sabiam da importância cultural do último adeus de Bette Davis.

Violette (2013) em vídeo

Para os que são mais visuais, apresentamos nossa versão do post sobre o filme Violette em vídeo:





Sim! Agora temos um canal, pois não nos contentamos em apenas escrever. Como diria Norma Desmond: "então eles abriram a boca e nunca mais pararam de falar!". Basicamente. Este espaço também é de vocês, por isso aproveitem para comentar, criticar, elogiar ou whatever. Também estamos abertos a sugestões de futuros posts/vídeos!

Jessica, Camila e Guilherme.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Violette (2013)


Meu lugar é dentro de mim mesma. O resto é vaidade.
Violette Leduc


O que me levou a Violette, primeiramente, foi a notícia de que no filme havia uma canção de Jeanne Moreau. Fui assistir ao trailer ingenuamente, e lá pela metade já estava dando berros. Para falar sobre os motivos desses berros terei de voltar no tempo, na época em que eu cursava as disciplinas de Literatura Francesa na faculdade.

Um dos motivos que me levaram para o curso de Letras, mas principalmente para a língua francesa, estavam ligados a uma escritora, carinhosamente chamada de mulher do lencinho entre meus amigos: Simone de Beauvoir. O ano era 2009, e foi na feira do livro que adquiri meus primeiros livros do Castor. Na época eu não lia em francês, mas achava que poderia decifrar os livros com o auxílio de um dicionário. La pauvre. Em 2010 comecei o curso de Letras e minha primeira tarefa, depois de chorar litros com o tamanho do acervo da biblioteca das humanas, fora pegar emprestado A convidada, um dos tantos romances da mulher do lencinho. Me apaixonei. Foi um amor arrebatador, eu queria copiar todas as citações no caderno de tanto sentido que faziam para minha vida. Beauvoir se tornou minha autora francesa predileta. No último ano de faculdade, lamentei para sempre o fato de não termos estudado melhor essa figura tão intrigante que ela foi. 

Simone de Beauvoir, mais conhecida como "a mulher do lencinho".


Por isso, quando finalmente vi a Simone, a minha mulher do lencinho, personificada na figura da atriz Sandrine Kiberlain, eu só poderia dar um berro. Mas mais do que isso: Simone de Beauvoir em um filme sobre uma autora francesa chamada Violette Leduc, que falou abertamente sobre aborto, homossexualidade e sexualidade feminina. Meu feminismo pira!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Os cinquenta anos de A Feiticeira


"Era uma vez uma garota tipicamente americana, que certo dia, chocou-se contra um típico rapaz americano. Ela chocou-se contra ele...... E outra vez chocou-se contra ele! Por isso decidiram sentar-se e conversar a respeito, antes que sofressem um acidente. Tornaram-se bons amigos e descobriram que tinha muitos interesses em comum. E quando o rapaz percebeu que ela era desejável, atraente e irresistível, fez o que qualquer rapaz americano teria feito, pediu-a em casamento. Tiveram um casamento típico e partiram para uma típica lua de mel em uma típica suíte matrimonial. Tudo tipicamente normal.

Exceto pelo fato de que esta garota... é uma feiticeira."

Há exatos 50 anos atrás, estreava assim uma das séries mais queridas da televisão americana: Bewitched, conhecida por aqui como A feiticeira. Com sua música-tema e abertura inconfundíveis, a série, com a  história da bruxinha que se apaixona e casa com um mero mortal, tomou rapidamente o coração dos americanos, em uma época em que, cada vez mais, a televisão ganhava destaque na vida das pessoas. 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

#Séries: The Barbara Stanwyck Show

Lá vai ela falar sobre Barbara Stanwyck de novo!



Ontem, revendo o documentário sobre Pacto de sangue, alguém declarou que Barbara Stanwyck não era valorizada porque "não era uma Ava Gardner, uma Rita Hayworth". Esse é o ponto. Foi justamente essa diferenciação que fez com que ela tivesse uma das carreiras mais longas que Hollywood já viu. Stany topava qualquer parada. Westerns? Ela topava. Comédias pastelão? Também. Assassinas, mães redentoras? Idem, idem. 

No final dos anos 50, Missy embarcaria em uma trip muito louca chamada televisão.

sábado, 6 de setembro de 2014

Tudo que o céu permite (1955)


“Doug, Doug, faça-os chorar, por favor, faça-os chorar!” - Era assim que, segundo Douglas Sirk, o produtor Ross Hunter costumava apresentar-lhe algum projeto. Sirk, considerado o pai do melodrama, e, consequentemente, de toda uma série de novelões mexicanos ou brasileiros, além de ter inspirado diretores como Pedro Almodóvar, entretanto, tem um dom especial, que o diferencia de todo o resto do gênero: ele pega uma história que pode ser considerada boba, ou até exagerada demais, e lhe dá um tom pessoal e convincente. E acaba, por fim, conseguindo tocar a alma do espectador.

Foi assim com Tudo que o céu permite, de 1955, o quinto filme da parceria entre Douglas Sirk e Rock Hudson - eles fariam nove filmes juntos no espaço de seis anos - e o segundo com o par romântico de sucesso Jane Wyman-Hudson. Uma crítica ácida à sociedade da época, seus costumes quase que ultrapassados, o preconceito e a hipocrisia, lançado em uma época em que a revolução sexual apenas engatinhava, All that heaven allows, no original, é um filme extremamente marcante, de visual sofisticado, e que conta uma história que talvez não seja tão exclusivamente da década de 1950 como pareça.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Bola de fogo (1941)


Bola de fogo (Ball of fire) é daqueles filmes em que a gente vive quase uma experiência extracorpórea. Tudo nos tira do chão: as atuações, o roteiro de Billy Wilder e Charles Brackett, a direção, o romance, o lelele de Barbara Stanwyck. Eu desafio você a NÃO gostar desse filme. Mais do que informar as curiosidades do filme e fazer grandes análises, hoje gostaria de contar um pouco do que senti assistindo Missy, Gary Cooper e Dana Andrews nessa comédia de Howard Hawks. Ou sobre como Bola de fogo arrancou meu coração fora.

A screw ball comedy foi um gênero de filme muito popular, que surgiu na época da Grande Depressão. Nos anos 40, ela vivia seu auge. O que você deve saber sobre este gênero: confusão. Essa é a palavra chave. O filme inteiro é (quase) sempre calcado em um mal entendido, no caso de Bola de Fogo temos uma personagem que está fugindo da polícia e se esconde na casa de um estudioso com a desculpa de ser cobaia para suas experiências linguísticas. A screw ball comedy chama a atenção pelo bate-bola-jogo-rápido. Como assim? Os personagens sempre têm uma resposta na ponta da língua, uma respostinha afiada, cheia de ironia. Às vezes é difícil acompanhar e processar o que eles estão dizendo. Quem viu Bola de Fogo há de concordar comigo que, de vez em quando, é difícil entender as ironias de Sugarpuss O’Shea. Alguns outros filmes desse gênero são Levada da Breca, resenhado pela Camila por aqui, Aconteceu naquela noite, As três faces de Eva etc etc etc.