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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Esse negócio engraçado chamado cinefilia (ou sobre Antoine de Baecque e sua conferência)

Sábado, 8 de novembro. Porto Alegre amanhece parecendo Londres. Saio de casa e quase não consigo enxergar o que está a minha frente por causa da neblina. Vai chover, eu pensei. Porém, lá pelas 10h, o céu está claro, muito sol. Porto Alegre e seu tempo bipolar. À tarde aquele calor infernal. Durante a semana inteira, Patrícia (nossa mais nova parceira de Cine Espresso) e eu  planejamos nossas perguntas para Antoine de Baecque, o homem Truffaut.

Antoine de Baecque.
Antoine escreveu a biografia mais completa sobre François Truffaut, é historiador e ministra aulas na École Normale, uma das instituições mais respeitadas francesas. Todo cinéfilo sonha com o dia em que poderá encontrar alguém que lhe sacie curiosidades, especialmente se elas estão ligadas a suas atrizes francesas favoritas, Fanny Ardant e Jeanne Moreau. Nem dava para acreditar que eu estava indo vê-lo. Só acreditei ao chegar no lugar e vê-lo encostado num cantinho da sala.

Quem olhava de longe achava que ele estava naquele cantinho fazendo pouco de si mesmo. Um cara como qualquer outro, com um casaco naquele calorão de Porto Alegre. Coitado, eu pensava, escolheu uma péssima época para vir pra cá. Nem parecia o “homem Truffaut” naquele cantinho, como se o fato de escrever uma biografia sobre um dos homens mais fascinantes do cinema francês, de ter sido diretor dos Cahiers Du Cinéma durante alguns anos não fosse nada. Mas, para mim, significava muito. Não tenho a ambição de ser editora dos Cahiers, porém historiadora de filmes (e isso existe?) é algo que sempre me atraiu muito. Tentava bancar a fangirl discreta, conversando com a Patrícia pelo celular, e estava dando certo. Até a conferência começar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Eva (1962)



Agora vocês podem começar a fazer suas ligações para o SAC Cine Espresso porque a partir de hoje Jeanne Moreau concorrerá com Barbara Stanwyck no concurso "De quem mais se fala nesse blog?".






O ano de 1962 talvez tenha sido um dos mais importantes na carreira da atriz Jeanne Moreau, neste ano, ela fez seu primeiro filme com três grandes diretores, Orson Welles, François Truffaut (Jeanne anteriormente, apenas tinha feito, uma pequena participação em "Os Incompreendidos") e Joseph Losey. Truffaut  conseguiu marcar a imagem da atriz e da mulher sedutora no triângulo amoroso “Jules et Jim”, fazendo com que até hoje Jeanne, seja atrelada a sua personagem Catherine; Orson Welles deu a oportunidade dela atuar no filme “O processo” ao lado de Anthony Perkins e Romy Schneider e, Joseph Losey, no filme “Eva” ratificou a sua imagem no cinema, de femme fatale, que não usa só a beleza, mas também a inteligência, para conquistar os homens.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

#Vídeos: Listas - Coisas que mais irritam fãs de cinema classico Parte II



"Filmes clássicos são chatos"

"Se o filme é em p&b, então não tem graça"

"Marilyn Monroe é uma má atriz"

"Dançando na chuva?"

"Cinema francês é chato"

"Audrey Hepburn = Bonequinha de Luxo"

"Você gosta de cinema clássico porque quer se aparecer"

TEM VÍDEO NOVO NO AR!

Continuamos nos irritando na parte II do vídeo "Coisas que os fãs de cinema clássico mais odeiam". 

(e as reclamações continuam ad infinitum)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Tempestades d’Alma (1940)



Era sempre a mesma ladainha: toda vez que Hollywood tentava fazer um filme antinazista, o cônsul alemão em Los Angeles, Georg Gyssling, dizia não e o filme era arquivado. Assim estabeleceu-se uma espécie de colaboração entre Hollywood e os alemães. Eles não faziam filmes antinazistas e a Alemanha deixava que eles pudessem exibir seus filmes lá. O medo de perderem o mercado alemão fez com que os americanos, por quase uma década, excluíssem temáticas antinazistas ou antissemitas de seus filmes.

No entanto, a Segunda Guerra Mundial chegou e muitas coisas começaram a mudar a partir daí.

Como se pode imaginar a guerra afetou a distribuição dos filmes no mundo. Hitler cortou pela metade a receita de Hollywood na Alemanha. Na França, os filmes americanos não podiam mais entrar. Foi então que os chefões dos estúdios decidiram chutar o pau da barraca. Ah é, quer dizer então que vai ser assim agora? Vão cortar a nossa receita, produção? Então nós vamos quebrar o nosso pacto de silenciamento do nazismo e dos judeus, vamos fazer filme antinazistas. Eles quebraram o pacto, como se diz, “naquelas”. Tempestades d’Alma foi o primeiro filme antinazista significativo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Os clássicos que não podem faltar no seu Halloween!



TRICK OR TREAT? O halloween já está aí e nada melhor do que assistir filmes para comemorar um de nossos feriados favoritos. Abaixo selecionamos alguns títulos, dos mais leves aos mais assustadores, para sua grande noite não passar em branco!


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Entre portas fechadas (1929)



Nessas andanças de ler a mais recente biografia sobre Barbara Stanwyck, escrita por Victoria Wilson, acabei entrando no mundo de Missy e está difícil sair. Vocês podem notar pela frequência com que tenho falado sobre seus filmes por aqui. Mas explico: estou lendo o livro e assistindo aos filmes que ainda não vi ao mesmo tempo. Tenho a sensação de que estou estudando para um mestrado imaginário ou fazendo uma imersão no país imaginário onde esta mulher viveu.

O livro de Victoria Wilson tem apenas mais 1000 de páginas, foi lançado ano passado e esmiúça detalhe por detalhe da vida de Missy. Vários amigos  comentam: mas haja vida, hein. Ao dizer que esse é só o Volume Um, que vai de 1907 até 1940, eles ficam ainda mais apavorados. Explico novamente: é que vários personagens de sua vida possuem mini-biografias dentro do livro. Além disso, Wilson preocupou-se em fornecer ao seu leitor um retrato histórico dos tempos em que Dona Missy vivia. Eu tenho achado ótimo.

Por que escolhi falar sobre mais um filme de Missy? – você deve estar se perguntando. Vamos elencar algumas razões:

a) Entre portas fechadas foi o primeiro filme sério da carreira da moça;
b) Insinuação de estupro, sororidade e outros temas relacionados à mulher dominam a trama;
c) Porque é Missy, oras!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Magia ao luar (2014)


"I believe that the dull reality of life is all there is,
but you are proof that there's more, more mystery, more magic."

A tradição de ir ao cinema para ver o filme anual de Woody Allen não decepciona. Desde Meia-noite em Paris eu tenho seguido esse costume à risca. E sempre procuro levar alguém comigo, pois sei que vão me agradecer depois. No entanto, esse ano só consegui ver Magia ao luar, o filme dele desse ano, aos 45 do segundo tempo. Faziam dois meses que eu surtava com o trailer, e com o fato de ter Colin Firth em um filme do Woody Allen. Mas, como os cinemas da minha cidade dão preferência aos blockbusters, um mês da estreia se passou - e nada. Já resignada com a tradição sendo quebrada esse ano, descobri que - finalmente - o filme iria passar na cidade, durante uma mísera semana. E arrastei minha irmã e minha melhor amiga comigo nessa empreitada. 

E como todo bom filme de Woody Allen, ao final temos:

a) Um personagem que representa o próprio Woody dentro da história;
b) Um personagem feminino maravilhoso;
c) Uma trilha sonora encantadora;
d) O diretor tirando o melhor dos seus atores;
e) O desejo de que Allen viva até os 150 anos para continuar nos dando um filme por ano.

Fazendo promessas para Nossa Senhora dos Filmes Ótimos já!