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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Sobre como eu conheci Fanny Ardant


Ela é sempre preto & branco
Ela não diz mais “de repente, num domingo”
Evidentemente Fanny Ardant e eu
Vincent Delerm – Fanny Ardant et moi

Visitar a Torre Eiffel, dar um passeio à beira do Sena e… dar um jeito de perseguir nossos ídolos. Esse eram meus planos e os da minha amiga ao chegar em Paris. Depois de muito jogar “Catherine Deneuve endereço” no Google da França  e não ter tido muito sucesso, parecia que havíamos nos aquietado. Mais ou menos. Todas as vezes em que caminhávamos por Paris, ficava pensando que meus ídolos estavam lá, escondidos em algum lugar. Onde estaria Jeanne Moreau, Mireille Mathieu e Alain Delon? Mireille e Deneuve moravam no mesmo bairro, digamos assim, será que se viam? Será que eu encontraria Deneuve caminhando no Bois de Boulogne, seu lugar favorito? Caminhei o dia inteiro por lá, com uma esperança infantil de encontrá-la. Não aconteceu.

Paris, muito mais do que a cidade dos anos loucos, era um portal mágico para eu encontrar meus ídolos. Achar a entrada dele parecia impossível.

Um dia Maria e eu estávamos fazendo hora pelas ruas da cidade quando, literalmente, topamos  com Fanny Ardant. Mesmo. Dei um berro no meio da rua: “OLHA AQUELE CARTAZ, A FANNY TÁ COM UMA PEÇA DE TEATRO AQUI”. Maria, que também adorava a Fanny, pediu para eu tirar uma foto. Tiramos fotos para guardar as informações de onde era e onde comprava. Olhamos para o relógio… será que dava tempo de ir até a Fnac da Champs Elysées comprar os benditos ingressos? Dá e se não der vai ter que dar.

A era do rádio (1987)


"Agora tudo acabou. Exceto em minhas recordações. O cenário é Rockaway e a época é minha infância (...) perdoe-me se romantizo. A vizinhança onde cresci nem sempre era tão turbulenta e chuvosa, mas é assim que me lembro dela. Naquela época o rádio estava sempre ligado." 

Nunca escondi por aqui o fato de ter Woody Allen como diretor favorito. Já contei antes em outros posts como Woody sempre parece ter a palavra certa no momento certo. Assim, pareceu certo usar meu aniversário, que aconteceu por esses dias, como desculpa para comprar o box com 20 filmes seus. Faz algum tempo que eu e o dito box de dvds nos observamos mutuamente na Saraiva, e agora, fico feliz em dizer, estamos em um relacionamento sério.

O negócio é que eu, como pregadora da Igreja Universal do Reino de Woody Allen  fã do diretor, já assisti antes boa parte dos filmes que vieram na caixa. Masss, felizmente, ainda restaram alguns que, por algum motivo ou outro, eu ainda não tinha visto. E agora estou nessa aventura maravilhosa de ver o que falta. E escolhi começar com A era do rádio, de 1987.

Um dos filmes mais ternos de Woody Allen, me lembrou, entre outras coisas, de como o diretor consegue tirar o melhor dos atores com quem trabalha. Além disso, acredito que esse é o filme mais autobiográfico da sua carreira. Por fim, Woody consegue que o espectador acabe por sentir saudades de uma época  que não viveu. Senhoras e senhores, Radio days!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Alma em suplício (1945)





Veda, I think I’m really seeing you for the first time in life and you’re cheap and horrible!

James M. Cain era a galinha dos ovos de ouro do cinema. Em três anos consecutivos três de seus livros seriam transformados em filme: Dupla indenização (1944), A história de Mildred Pierce (1945) e O destino bate a sua porta (1946). Não foi à toa, estávamos no auge da era noir do cinema e o público desejava grandes histórias. A história de Mildred Pierce carrega algo que poucos filmes noir tem: uma protagonista. Aos homens, o papel secundário. Alem disso, Alma em suplício é o primeiro filme de Joan Crawford na Warner Brothers, que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz.

Minhas experiências ao ler livros adaptados para o cinema, especialmente depois de ter visto as adaptações cinematográficas 340 vezes, vão da surpresa à decepção. Há muito tempo que deixei de dizer a famosa frase “o livro é muito melhor que o filme”, pois acredito que se tratam de dois suportes diferentes. O livro funciona de um jeito e o filme de outro. Porém com A história de Mildred Pierce meu queixo simplesmente caiu. Porque, ao terminar de lê-lo, ficou evidente como esses dois suportes funcionam de formas completamente distintas. No livro você consegue odiar Veda ainda mais (e isso é possível? SIM, É!) , mas muito mais do que isso, a gente entende porque o romance foi mutilado. Em 1945 ninguém iria mostrar uma cena de estupro no cinema. Ninguém iria deixar o personagem sem levar o que ele merecia. A simples ideia de o vilão sair impune, nessa época, era inaceitável. Se o filme seguisse a risca o livro, duvido muito que fosse realizado.

Neste post tentaremos mostrar alguns pontos interessantes entre o livro e o filme, sem deixar de lado os bastidores, afinal Alma em suplício tem história pra contar, hein!

Esse negócio engraçado chamado cinefilia (ou sobre Antoine de Baecque e sua conferência)

Sábado, 8 de novembro. Porto Alegre amanhece parecendo Londres. Saio de casa e quase não consigo enxergar o que está a minha frente por causa da neblina. Vai chover, eu pensei. Porém, lá pelas 10h, o céu está claro, muito sol. Porto Alegre e seu tempo bipolar. À tarde aquele calor infernal. Durante a semana inteira, Patrícia (nossa mais nova parceira de Cine Espresso) e eu  planejamos nossas perguntas para Antoine de Baecque, o homem Truffaut.

Antoine de Baecque.
Antoine escreveu a biografia mais completa sobre François Truffaut, é historiador e ministra aulas na École Normale, uma das instituições mais respeitadas francesas. Todo cinéfilo sonha com o dia em que poderá encontrar alguém que lhe sacie curiosidades, especialmente se elas estão ligadas a suas atrizes francesas favoritas, Fanny Ardant e Jeanne Moreau. Nem dava para acreditar que eu estava indo vê-lo. Só acreditei ao chegar no lugar e vê-lo encostado num cantinho da sala.

Quem olhava de longe achava que ele estava naquele cantinho fazendo pouco de si mesmo. Um cara como qualquer outro, com um casaco naquele calorão de Porto Alegre. Coitado, eu pensava, escolheu uma péssima época para vir pra cá. Nem parecia o “homem Truffaut” naquele cantinho, como se o fato de escrever uma biografia sobre um dos homens mais fascinantes do cinema francês, de ter sido diretor dos Cahiers Du Cinéma durante alguns anos não fosse nada. Mas, para mim, significava muito. Não tenho a ambição de ser editora dos Cahiers, porém historiadora de filmes (e isso existe?) é algo que sempre me atraiu muito. Tentava bancar a fangirl discreta, conversando com a Patrícia pelo celular, e estava dando certo. Até a conferência começar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Eva (1962)



Agora vocês podem começar a fazer suas ligações para o SAC Cine Espresso porque a partir de hoje Jeanne Moreau concorrerá com Barbara Stanwyck no concurso "De quem mais se fala nesse blog?".






O ano de 1962 talvez tenha sido um dos mais importantes na carreira da atriz Jeanne Moreau, neste ano, ela fez seu primeiro filme com três grandes diretores, Orson Welles, François Truffaut (Jeanne anteriormente, apenas tinha feito, uma pequena participação em "Os Incompreendidos") e Joseph Losey. Truffaut  conseguiu marcar a imagem da atriz e da mulher sedutora no triângulo amoroso “Jules et Jim”, fazendo com que até hoje Jeanne, seja atrelada a sua personagem Catherine; Orson Welles deu a oportunidade dela atuar no filme “O processo” ao lado de Anthony Perkins e Romy Schneider e, Joseph Losey, no filme “Eva” ratificou a sua imagem no cinema, de femme fatale, que não usa só a beleza, mas também a inteligência, para conquistar os homens.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

#Vídeos: Listas - Coisas que mais irritam fãs de cinema classico Parte II



"Filmes clássicos são chatos"

"Se o filme é em p&b, então não tem graça"

"Marilyn Monroe é uma má atriz"

"Dançando na chuva?"

"Cinema francês é chato"

"Audrey Hepburn = Bonequinha de Luxo"

"Você gosta de cinema clássico porque quer se aparecer"

TEM VÍDEO NOVO NO AR!

Continuamos nos irritando na parte II do vídeo "Coisas que os fãs de cinema clássico mais odeiam". 

(e as reclamações continuam ad infinitum)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Tempestades d’Alma (1940)



Era sempre a mesma ladainha: toda vez que Hollywood tentava fazer um filme antinazista, o cônsul alemão em Los Angeles, Georg Gyssling, dizia não e o filme era arquivado. Assim estabeleceu-se uma espécie de colaboração entre Hollywood e os alemães. Eles não faziam filmes antinazistas e a Alemanha deixava que eles pudessem exibir seus filmes lá. O medo de perderem o mercado alemão fez com que os americanos, por quase uma década, excluíssem temáticas antinazistas ou antissemitas de seus filmes.

No entanto, a Segunda Guerra Mundial chegou e muitas coisas começaram a mudar a partir daí.

Como se pode imaginar a guerra afetou a distribuição dos filmes no mundo. Hitler cortou pela metade a receita de Hollywood na Alemanha. Na França, os filmes americanos não podiam mais entrar. Foi então que os chefões dos estúdios decidiram chutar o pau da barraca. Ah é, quer dizer então que vai ser assim agora? Vão cortar a nossa receita, produção? Então nós vamos quebrar o nosso pacto de silenciamento do nazismo e dos judeus, vamos fazer filme antinazistas. Eles quebraram o pacto, como se diz, “naquelas”. Tempestades d’Alma foi o primeiro filme antinazista significativo.