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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A incrível Suzana (1942)

- If you're Swedish, suppose you say something in Swedish.
- "I want to be alone"...?
Nessas últimas semanas tive um surto de Ginger Rogers, mas sem Fred Astaire. Porque é fácil esquecer de vez em quando que ela foi muito mais do que a parceira de dança dele em memoráveis musicais. Mesmo que nesses mesmos filmes seja possível observar a veia cômica de Ginger Rogers, quase nunca isso é lembrado, e ela acaba ficando relegada ao papel da garota que dançou cheek to cheek com Fred em 10 filmes. Já até havia comentado sobre isso aqui, quando postei sobre outro filme dela, Vivacious lady. Filme esse, aliás, que revi durante o período de overdose de Ginger. Acabei assistindo em um mesmo fim de semana esse e mais três outros filmes: No teatro da vida (1937),  Era uma lua-de-mel (1942) e A incrível Suzana (1942). Esse último foi o que mais gostei, e que acabou até entrando na minha lista de favoritos. Eu adorei o filme, e só depois fiquei sabendo que ele fora dirigido por Billy Wilder, um dos meus diretores favoritos. No original The major and the minor foi o primeiro filme que ele dirigiu em Hollywood. 

A boa combinação entre Ginger e Ray Milland (que eu ainda não tinha visto em uma comédia), e o humor delicioso de Billy Wilder, A incrível Suzana é uma boa pedida para quem procura um filme para dar boas e fáceis risadas nesse fim de semana. Afinal, é uma sátira que quase não se leva a sério. Uma comédia de troca de identidade, que funciona principalmente apoiada em seus versáteis protagonistas, possuidores de uma grande química juntos nas telas.


Ginger é Susan Applegate, uma moça do interior que passou um ano em Nova York, na tentativa de conseguir uma vida melhor, mas tudo que conseguiu foi passar por maus bocados, e trabalhar em 25 empregos diferentes durante o período em que esteve na cidade. A gota d'água é quando em uma visita domiciliar do seu trabalho com tratamentos capilares, ela é assediada pelo cliente. Irritada, ela resolve deixar Nova York e voltar para a cidade natal.

Determinada, ela arruma as malas e parte em direção à estação. No entanto, a moça é tãããão esperta que acha que, desde que veio para a cidade, o preço da passagem de trem não aumentou nada, e chega lá com o dinheiro contadinho para pagar o mesmo valor de antes. É claro que ela não consegue pagar sua passagem, e como não quer passar mais um minuto além do necessário em Nova York, tem uma ~~brilhante~~ ideia: se fazer passar por uma mocinha de 12 anos, de forma que possa pagar o preço pela metade. Susan arranja um cara qualquer para fingir ser seu pai. O tal fulano até a ajuda, mas consegue levar embora o que restou de seu dinheiro.

É claro que nem todo mundo cai na farsa da moça, bem grandinha para aparentar doze anos de idade. A desculpa que ela inventa é a de que é descendente de suecos (!), mas são poucos que acreditam. É claro que isso a faz ser perseguida dentro do trem, até que acaba na cabine do Major Kirby (Ray Milland), que se compadece da suposta criança, e toma para si a tarefa de protegê-la. Começa então o melhor do filme, já que Susan acaba ficando atraída pelo charmoso rapaz, mas precisa continuar fingindo para não ser pega. E o pior de tudo é que, sutilmente, Billy Wilder faz com que vejamos que talvez Kirby não seja tããão indiferente assim, e ele se odeia por isso. Tudo fica ainda mais maluco, quando o trem fica interrompido por um contratempo durante a viagem, e Sussu (assim como é chamada pelo Major), segue o major até a escola e sede militar, onde também fica a casa de sua noiva, Pamela (Rita Johnson). Esta, desde início fica intrigada pela aparência da garota, mas é a sua irmã mais nova, Lucy (Diana Lynn) que tem a "mesma idade" que Sussu, que não acredita na farsa. No entanto, a garota revela-se como uma grande aliada. Tudo se complica quando todos os cadetes se apaixonam e tentar conquistar Susan, despertando - pasmém! - o ciúme do Major Kirby. Onde toda essa loucura vai parar... você precisa assistir para saber. 

Talvez o maior mérito de A incrível Suzana, seja que ele não se leva a sério e lida muito bem com essa situação, que é quase impossível. Afinal, quem iria acreditar que Ginger tivesse 12 anos? Mas Billy Wilder consegue como ninguém, afinal ele transitou tranquilamente por todos os gêneros durante sua carreira. E aqui, ele faz desse filme muito inteligente, pois a conexão entre Milland e Rogers não muda em nenhuma das três encarnações dela - adulta, criança, mulher de meia-idade (você precisa ver para saber do que estou falando). E, apesar do subtexto da diferença de idades, e de que ele pensa que ela é uma menina de 12 anos, você se pega torcendo pelos dois, naquele exato momento. Mesmo que, claramente, a intenção do filme nunca é que você queira eles dois juntos. Na verdade, é bem sutil. Além disso, o filme é repleto de diálogos e gags memoráveis. Politicamente incorreto, talvez. Mas muito, muito divertido.

Ah, uma curiosidade: a mãe de Ginger, Lela E. Rogers, faz uma ponta como a mãe de Susan Applegate.



Quer aproveitar o final de semana para ver esse filme maravilhoso? Então aproveita, e corre pra assistir:

Download (legendas em português já estão no mesmo arquivo)




Publicado por Camila Pereira.

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