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terça-feira, 14 de abril de 2015

Círculo do medo (1962)



A gente sabe que o ator é bom quando ele consegue com que você o odeie quando na verdade você o ama de paixão. A atuação de Robert Mitchum em Círculo do Medo é algo tão surreal, tão asqueroso e nojento que eu, uma fã ardorosa de seu trabalho, não consegui até agora me livrar da sensação de vê-lo nesse filme.

Se você é do tipo que acha que filmes de suspense ou terror da era de ouro de Hollywood não conseguem te envolver, Círculo do Medo chegou para acabar com suas convicções. Você vai sentir na pele a tensão dessa história envolvente sobre vingança.

Inspirado no livro The executioners, Círculo do medo conta a história de Sam Bowden (Gregory Peck), um advogado que leva uma vida pacata e normal ao lado da esposa e filha até o dia em que Max Cady (Robert Mitchum), um homem que Bowden ajudou a mandar para a cadeia após testemunhar contra ele, começa a persegui-lo para vingar-se dele.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Os pássaros (1963)


O camponês Nat ouve um barulho do lado de fora da janela de sua casa. Algo chocou-se contra ela. O inverno acabava de começar. Algo estava errado, um pássaro atirando-se contra a janela, mas o que é isso? Ninguém acredita em Nat, até que pássaros, essas criaturinhas bondosas e passivas, resolvem atacar uma cidade do interior da Inglaterra, causando pânico por onde passam. Assim é o plot inicial do conto da escritora britânica Daphne du Maurier (apesar desse nome que faz com que a gente pense que ela é francesa). Simples, não? Mas pense para adaptar para o cinema. Pensou? Difícil não? Não para Alfred Hitchcock.

Os pássaros foi um filme que cresceu muito dentro de mim. Como a maioria das pessoas, eu estava contaminada pelo germe Psicose, esperando algo muito mais grandioso a seguir. A primeira vez que o assisti confesso que fiquei bastante frustrada. Depois reassisti outras duas vezes e mudei completamente de opinião. Não só é um filme grandioso como um dos pioneiros em efeitos especiais da época. E além do mais, as fofocas e barracos envolvendo Hitchcock e a estrela do filme, Tippi Hedren, também alimentaram minha curiosidade a tal ponto que acabei comprando o livro que continha o conto que deu origem ao filme.

domingo, 20 de abril de 2014

Corpos ardentes (1981)



O cinema já havia passado por sua revolução francesa nos anos 70 quando Corpos Ardentes (Body Heat) chegou para colocar um pouco de lenha nessa fogueira, que já parecia estar se apagando no começo dos anos 80. Cabeças já haviam rolado, os cineastas já haviam colocado a língua para fora e dito “não queremos mais essa artificialidade de vocês, nós vamos reinventar essa coisa chamada cinema”. Assim, as comédias românticas foram remodeladas, como a Camila ressaltou em seu maravilhoso post sobre Annie Hall, o thriller e o terror…  E muitos muitos outros gêneros também. Só faltava a releitura moderna do gênero noir, famoso nos anos 40 e 50. Corpos Ardentes veio para cobrir essa lacuna.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

As diabólicas (1954)


Talvez você não os conheça de nome, mas certamente já tentou desvendar o mistério de alguma de suas histórias. Pierre Boileau e Thomas Narcejac foram talvez a fonte mais criativa de histórias para o cinema na década de 50 e 60. Esses dois caras, que escreviam juntos e utilizavam o nome artístico Boileau-Narcejac, foram os mestres do polar – o romance policial francês – nesse período. Um corpo que cai, de Hitchcock, é baseado em um de seus romances, Sueurs Froides. Além disso, outros filmes foram inspirados em suas histórias, como Maléfices dirigido por Henry Decoin. Boileau-Narcejac nem sempre são lembrados como os principais autores de romance policial francês; não em um mundo em que existe Arsène Lupin e Maigret. Apesar de ser uma pena, não enxergo isso como um problema, pois esses dois autores estão na cabeça de muitas pessoas que assistiram Um corpo que cai e As diabólicas, que acabaram se tornando dois chef-d’oeuvre da obra de Boileau-Narcejac. E, senhores, As diabólicas é talvez o melhor filme noir que você já viu na vida.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Gravidade (2013)

"Houston, I have a bad feeling about this mission."
 Eu demorei para assistir Gravidade propositalmente. Eu tinha um certo receio, uma espécie de angústia antecipada que o trailer me deu. Mas eu não tinha a mínima ideia do que estava por vir. Em primeiro lugar, posso definir o filme como um dos mais diferentes que já assisti, e os efeitos - ah, os efeitos - são de tirar o fôlego. E, eu sinto dizer, Sandra Bullock me deixou ligeiramente abalada no que diz respeito a minha torcida no Oscar para Cate Blanchett. Me sinto como uma mãe tendo que torcer por suas duas filhas disputando a mesma coisa.

Os comentários gerais são de que existe uma reação exagerada em torno do filme, e que as indicações ao Oscar - dez, no total - são igualmente exageradas. Será?