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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Sobre como eu conheci Fanny Ardant


Ela é sempre preto & branco
Ela não diz mais “de repente, num domingo”
Evidentemente Fanny Ardant e eu
Vincent Delerm – Fanny Ardant et moi

Visitar a Torre Eiffel, dar um passeio à beira do Sena e… dar um jeito de perseguir nossos ídolos. Esse eram meus planos e os da minha amiga ao chegar em Paris. Depois de muito jogar “Catherine Deneuve endereço” no Google da França  e não ter tido muito sucesso, parecia que havíamos nos aquietado. Mais ou menos. Todas as vezes em que caminhávamos por Paris, ficava pensando que meus ídolos estavam lá, escondidos em algum lugar. Onde estaria Jeanne Moreau, Mireille Mathieu e Alain Delon? Mireille e Deneuve moravam no mesmo bairro, digamos assim, será que se viam? Será que eu encontraria Deneuve caminhando no Bois de Boulogne, seu lugar favorito? Caminhei o dia inteiro por lá, com uma esperança infantil de encontrá-la. Não aconteceu.

Paris, muito mais do que a cidade dos anos loucos, era um portal mágico para eu encontrar meus ídolos. Achar a entrada dele parecia impossível.

Um dia Maria e eu estávamos fazendo hora pelas ruas da cidade quando, literalmente, topamos  com Fanny Ardant. Mesmo. Dei um berro no meio da rua: “OLHA AQUELE CARTAZ, A FANNY TÁ COM UMA PEÇA DE TEATRO AQUI”. Maria, que também adorava a Fanny, pediu para eu tirar uma foto. Tiramos fotos para guardar as informações de onde era e onde comprava. Olhamos para o relógio… será que dava tempo de ir até a Fnac da Champs Elysées comprar os benditos ingressos? Dá e se não der vai ter que dar.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Violette (2013) em vídeo

Para os que são mais visuais, apresentamos nossa versão do post sobre o filme Violette em vídeo:





Sim! Agora temos um canal, pois não nos contentamos em apenas escrever. Como diria Norma Desmond: "então eles abriram a boca e nunca mais pararam de falar!". Basicamente. Este espaço também é de vocês, por isso aproveitem para comentar, criticar, elogiar ou whatever. Também estamos abertos a sugestões de futuros posts/vídeos!

Jessica, Camila e Guilherme.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Violette (2013)


Meu lugar é dentro de mim mesma. O resto é vaidade.
Violette Leduc


O que me levou a Violette, primeiramente, foi a notícia de que no filme havia uma canção de Jeanne Moreau. Fui assistir ao trailer ingenuamente, e lá pela metade já estava dando berros. Para falar sobre os motivos desses berros terei de voltar no tempo, na época em que eu cursava as disciplinas de Literatura Francesa na faculdade.

Um dos motivos que me levaram para o curso de Letras, mas principalmente para a língua francesa, estavam ligados a uma escritora, carinhosamente chamada de mulher do lencinho entre meus amigos: Simone de Beauvoir. O ano era 2009, e foi na feira do livro que adquiri meus primeiros livros do Castor. Na época eu não lia em francês, mas achava que poderia decifrar os livros com o auxílio de um dicionário. La pauvre. Em 2010 comecei o curso de Letras e minha primeira tarefa, depois de chorar litros com o tamanho do acervo da biblioteca das humanas, fora pegar emprestado A convidada, um dos tantos romances da mulher do lencinho. Me apaixonei. Foi um amor arrebatador, eu queria copiar todas as citações no caderno de tanto sentido que faziam para minha vida. Beauvoir se tornou minha autora francesa predileta. No último ano de faculdade, lamentei para sempre o fato de não termos estudado melhor essa figura tão intrigante que ela foi. 

Simone de Beauvoir, mais conhecida como "a mulher do lencinho".


Por isso, quando finalmente vi a Simone, a minha mulher do lencinho, personificada na figura da atriz Sandrine Kiberlain, eu só poderia dar um berro. Mas mais do que isso: Simone de Beauvoir em um filme sobre uma autora francesa chamada Violette Leduc, que falou abertamente sobre aborto, homossexualidade e sexualidade feminina. Meu feminismo pira!

domingo, 2 de março de 2014

Trapaça (2013)


American Hustle (Trapaça, no Brasil) é dirigido por David O. Russell, indicado em várias categorias no Oscar do ano passado com O Lado Bom da Vida. Esse ano, seu novo filme traz novamente Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, mas é protagonizado por Christian Bale e Amy Adams. Trapaça é a maior aposta ao grande prêmio da Academia, ao lado de 12 anos de Escravidão, ambos com 10 indicações! Se você assim como eu, tinha na memória uma imagem inofensiva da Amy Adams na pele da jovem freira em Dúvida de 2008 ou Julie & Julia de 2009, pode se surpreender com o quanto sexy a vencedora do Globo de Ouro aparece aqui! Trapaça já chegou aos nossos cinemas e acompanha uma dupla de impostores que termina nas mãos de um agente do FBI.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Os belos dias (2013)



De repente, você tem vontade de comer mousse de chocolate e no outro momento, você tem vontade de torta de maçã. Não existe uma razão para isso.Acontece. Fanny Ardant sobre sua personagem em Les Beaux Jours 
A vida de Caroline, apesar de aposentada e alguns anos mais velha que nós, se confunde com a nossa em Os belos dias. Esse filme, lançado no ano passado na França e este ano por aqui, vai além do plot “mulher mais velha saindo com homem mais novo”. Não, não só isso; é uma reflexão sobre os prazeres inesperados que a vida nos traz, sobre como estamos de certa forma enclausurados na vida que construímos para nós mesmos.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Gravidade (2013)

"Houston, I have a bad feeling about this mission."
 Eu demorei para assistir Gravidade propositalmente. Eu tinha um certo receio, uma espécie de angústia antecipada que o trailer me deu. Mas eu não tinha a mínima ideia do que estava por vir. Em primeiro lugar, posso definir o filme como um dos mais diferentes que já assisti, e os efeitos - ah, os efeitos - são de tirar o fôlego. E, eu sinto dizer, Sandra Bullock me deixou ligeiramente abalada no que diz respeito a minha torcida no Oscar para Cate Blanchett. Me sinto como uma mãe tendo que torcer por suas duas filhas disputando a mesma coisa.

Os comentários gerais são de que existe uma reação exagerada em torno do filme, e que as indicações ao Oscar - dez, no total - são igualmente exageradas. Será?

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O grande Gatsby (2013)


Não é a toa que O grande Gatsby, sendo dirigido por Baz Luhrmann, esteja concorrendo ao Oscar de melhor figurino. Porém, creio que foi praticamente um pecado que o longa fosse ignorado por outras categorias, pois Gatsby é muito mais do que as luxuosas roupas dos americanos ricos da década de 1920. Com uma trilha sonora envolvente - embora às vezes viaje na maionese - o filme foi para mim uma das mais prazerosas idas ao cinema de 2013. O que faltou em brilho e em empolgação na adaptação que trazia Robert Redford e Mia Farrow nos papéis principais aparece aqui com todo o exagero desde o colorido e o espetacular 3D, até os já citados figurinos que renderam à indicação ao Oscar - afinal, estamos falando de Baz Luhrmann.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Clube de compras Dallas (2013)


No sábado à noite, quando Jared Leto ganhou o prêmio SAG por sua atuação em Dallas Buyers Club, percebi que já passava da hora de escrever um post sobre esse filme para o blog. Isso porque a vitória do ator, que interpretou uma transexual, é digna de destaque. Michael Douglas também tem seus méritos, afinal em seu Behind the candelabra (outro filme digno de review!), ele também interpreta um personagem portador do vírus HIV, mas que descobre o vírus quase no final da vida. Existe uma diferença importante entre os dois filmes. Dallas buyers club é cru, sem rodeios e tem o propósito de retratar como a AIDS e seus efeitos nos anos 80; Behind the candelabra centra-se na figura do pianista Liberace e não tem tanto apelo social como o primeiro. O discurso de Leto no SAG deixa bem claro, para mim, a importância de um filme como Dallas buyers no cinema. Principalmente concorrendo à categoria tão desejada de “melhor filme” no Oscar.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Álbum de família (2013)


Daqui algumas horas, talvez quando você já estiver lendo este post, a lista de indicados do Oscar 2014 já vai ter sido divulgada. Por enquanto, podemos apenas fazer previsões. Meu chute para o Oscar deste ano se chama Álbum de Família.

Não sei se vocês têm a mesma impressão que eu, mas parece que esperei esse filme sair por décadas. Estive acompanhando a publicidade em torno dele desde que anunciaram que Meryl Streep e Julia Roberts iriam atuar juntas. Quando finalmente pude assisti-lo, percebi que o filme carrega em si muito mais que o nome dessas duas atrizes; Álbum de família é uma ode ao tema mais velho que sua avó: famílias problemáticas.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

12 Anos de Escravidão (2013)


Baseado na autobiografia de Soloman Northup, que cresceu em Nova York como um homem livre e durante uma viagem à Washington é sequestrado e vendido como escravo. O mais recente filme de Steve McQueen conta com Chiwetel Ejiofor e Lupita Nyong'o, além de um maravilhoso elenco de apoio que inclui Michael Fassbender, Brad Pitt, Sarah Paulson, Benedict Cumberbatch, entre outros. Confira o que achamos de 12 Anos de Escravidão, vencedor do Globo de Ouro e grande aposta para a noite de entrega dos prêmios da Academia.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

All Is Lost (2013)


Confesso que tive dificuldades em escolher as tags para identificar o filme, All Is Lost é uma poderosa combinação de drama, suspense, natureza e terror. Tudo começou no Sundance Film Festival em 2011, na estréia de Margin Call - O Dia Depois do Fim, quando Robert Redford conheceu o diretor estreante J.C. Chandor. O novo filme quase não tem diálogos e traz como único personagem um ator veterano, que aos 77 anos de idade, tem boas chances de conquistar seu primeiro Oscar.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Walt nos bastidores de Mary Poppins (2013)



Em uma época em que não existia 3D, Mary Poppins foi talvez A sensação de 1964. Não era a primeira vez em que os estúdios Walt Disney reuniam animação e pessoas de verdade – os filmes de Zé Carioca e as irmãs Miranda foram os pioneiros -, mas esse tinha um toque a mais. Pegue a doçura de Julie Andrews, as palhaçadas de Dick Van Dyke e misture com uma pitada de um romance que nunca existiu. Agora adicione músicas e danças a uma colher de uma história muito bem contada. Depois que você assiste Mary Poppins é supercalifragilisticexpialidocious!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Blue Jasmine (2013)


Depois de uma fase europeia - com filmes rodados em Londres, Barcelona, Paris e Roma - Woody Allen está de volta às origens. Filmado em San Francisco, Blue Jasmine é, com toda certeza, um dos melhores filmes dos últimos tempos, e, mais ainda, um dos melhores de Woody. Uma das marcas do diretor são, sem dúvida, personagens femininas marcantes, e Jasmine é uma delas - os homens dos filmes de Allen são geralmente uma variação da personalidade do próprio diretor.

Woody jamais escondeu sua paixão por alguns personagens do cinema - Rick Blaine, de Casablanca é um deles, sendo mostrado sempre como um ídolo e um modelo em seus filmes. Outra que vi várias vezes ser mencionada não só nos filmes de Allen, como também em seus contos, foi a icônica Blanche DuBois, vivida por Vivien Leigh em Uma rua chamada pecado (1951). A personagem, conhecida pelo desejo de escapar da realidade através da farsa apareceu, por exemplo, sendo imitada por Woody em O dorminhoco (1973). Mas, em Blue Jasmine temos uma livre e moderna adaptação da peça de Tennessee Williams. E se Vivien Leigh ganhou merecidamente o Oscar por viver Blanche, o mesmo podemos esperar de Cate Blanchett com Jasmine. Então, amigos, puxem suas cadeiras e esperem, pois acho que temos a vencedora do ano que vem.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Como não perder essa mulher (2013)


Vivemos hoje na era do supérfluo, das coisas artificiais, objetivas e cada vez mais dinâmicas, e isso, obviamente, não poderia deixar de se refletir na forma como lidamos com os relacionamentos amorosos. O caso dos aplicativos que permitem ao usuário avaliar o desempenho e a aparência dos seus parceiros e que gerou polêmica recentemente, está aí para provar isso. Nesse contexto, Don Jon, a estreia de Joseph Gordon-Levitt na direção, mostra como essa artificialidade aliada às expectativas criadas (muitas vezes sob a influência da mídia) acaba prejudicando a visão que se tem do parceiro ideal e dos relacionamentos em geral.