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terça-feira, 7 de abril de 2015

A embriaguez do sucesso (1957)



Se você adora a canção The lady is tramp, consagrada na voz de Frank Sinatra, provavelmente deve conhecer Walter Winchell de ouvido. I follow Winchell and read every line diz a letra. Pois esta pessoa foi uma das maiores colunistas de fofoca norte-americanas, dando espaço para que as Hedda Hoppers e Louella Parsons aparecessem depois. A fama é tão grande que ele foi inspiração para um conto e um filme!

No aniversário de Walter Winchell, estaremos servindo A embriaguez do sucesso, um filme noir com um dialogo ácido e rápido, paisagens de tirar o fôlego e que fala sobre daquilo que corrompe o homem desde que o mundo é mundo: o sucesso.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Contagem regressiva para o Oscar: o ano de 1955


"Ali estávamos, só nós dois. Foi terrível. O momento mais solitário da minha vida."

Se tem um ponto sensível na vida de quem gosta de cinema, relacionado ao Oscar, é a premiação da Academia de 1955. Até hoje muita gente se incomoda e defende com unhas e dentes o Oscar de Judy Garland. Não sei bem ao certo se sou uma dessas. E ainda me incomodo um pouco ao dizer isso, por causa de gente xiita, mas afirmo que tem coisa MUITO pior em relação ao Oscar (Gwyneth Paltrow, alguém?).

Mas, vamos por partes. Nem só de Grace Kelly surrupiando o Oscar da Judy vive a 27ª edição da premiação mais polêmica - e às vezes flopada - de todos os tempos. Teve todas aquelas coisas que sempre tem: gente bonita, falsidade, lindos vestidos, chapéus estranhos, gente com cara de bunda, e filme que merecia ganhar, ganhando.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Contagem regressiva para o Oscar: o ano de 1952



Faltam quatro dias para o Oscar e ainda não nos cansamos de analisar essa cadeia hereditária que são as premiações da Academia.

No dia 20 de março de 1952, uma tarde de quinta-feira com um lindo sol azul, um dos filmes mais ousados que a Old Hollywood já conhecera varria quase todos os prêmios de melhor ator e atriz. Além disso, Gene Kelly estrelou “Um dia difícil para os inimigos”, levando para a casa o Oscar Honorário. E o filme mais caro de 1951 que não levou nada para a casa? Quo Vadis só levou prêmio de melhor escândalo do ano.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

#Top 100 Looks do cinema - #1 - Marilyn Monroe em “O pecado mora ao lado” (1955)


Hoje estreia aqui no Cine Espresso uma série sobre looks memoráveis do cinema. Convidamos Lucas Kovski, que é apaixonado por cinema e moda, para unir o útil ao agradável aqui no blog. Ele escolheu 100 looks da história do cinema, e conta um pouco da história desses figurinos a partir de hoje aqui. E não poderia ter escolhido uma forma melhor de começar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

#Vídeos: "Nasce uma estrela" (1954) - Comentários



Nasce uma estrela é o tipo de filme que, depois de começar a assistir, você se pergunta porquê demorou tanto tempo para descobri-lo. 

Um retrato amargo, fiel e muito verdadeiro dos anos de ouro de Hollywood. 

TEM VÍDEO NOVO NO AR!

Reserve as caixas de lenço e venha conhecer um dos grandes filmes dessa grande atriz que foi Judy Garland. 

(e vamos chorar eternamente por ela não ter ganho o Oscar por esse filme, sim ou com certeza?)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O rei e eu (1956)


2014 foi, dentre outras coisas, o ano em que aceitei Rodgers & Hammerstein em minha vida. E, oh boy, que diferença isso fez! Musicais coloridos, exuberantes e alegres, com canções que grudam, mas de uma forma legal, na cabeça.

Um desses filmes foi The King and I, de 1956, que acabou por se tornar um dos meus favoritos absolutos. Shall we dance passou a ser a música que toca 24 horas por dia praticamente na minha cabeça, e não posso esquecer Yul Brynner e Deborah Kerr dançando juntos e transcendendo a tela.

O musical é baseado na história real do rei Mongkut, do Sião (atual Tailândia), e da professora inglesa Anna Leonowens, contratada para ensinar a cultura ocidental para os inúmeros filhos do monarca. Um choque cultural e de personalidades inicialmente, torna-se em respeito mútuo e algo mais com o passar do tempo. Rodgers & Hammerstein adaptaria a história em um dos musicais mais bem sucedidos da Broadway, e, como não poderia deixar de ser, com todo o sucesso, Hollywood logo viu ali a chance para mais um sucesso de bilheteria. Dos palcos, o diretor Walter Lang não trouxe só os belos figurinos e músicas, mas também o ator Yul Brynner, que acabaria por consagrar sua carreira no papel do rei rabugento e teimoso, que, estranhamente, não conseguimos deixar de amar.

Forninhos falling down!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

#Vídeos: Passos na noite (1950)



No noirvember, o Cine Espresso comenta um dos maiores filmes do gênero noir: Passos na noite. Neste filme de Otto Preminger, Gene Tierney e Dana Andrews nos deleitam mais uma vez como o casal principal e matam nossas saudades, já que protagonizaram outro noir de Preminger, Laura

Corrupção, redenção, submundo são alguns dos temas desse filme, que retrata o lado B da América.

Mais? Então vem!

domingo, 19 de outubro de 2014

#Top 5: Cinco filmes noir com Barbara Stanwyck que você deveria assistir



Estou ligando para perguntar se o Cine Espresso não tem outra pauta que não seja Barbara Stanwyck. ASSIM NÃO DÁ, GENTE!!!!

Barbara Stanwyck e noir é como o trecho desta música : “Amor sem beijinho, Buchecha sem Claudinho, sou eu assim sem você”. Não conseguimos separar uma coisa da outra. Mas, não se engane, essa linda também é a rainha dos Westerns (mais um Top 5 no forno, sim ou claro?). Em minha humilde posição de fã, arriscaria dizer que ninguém se ajusta tão bem às ideias do noir quanto ela. Pensando nisso, elaboramos um top 5 dos melhores noir estrelados por ela. Porque, afinal de contas, não é só de Pacto de Sangue que vive o homem, não é mesmo?

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dilema de uma consciência (1951)


Vocês conhecem aquela música do grupo Só pra Contrariar, Mineirinho (não vou ler um post em que citam esse grupo farofeiro)? Nela tem um verso que poderia resumir muito bem minha relação, e acredito que a dos meus colegas de Cine Espresso também, com Doris Day: “O meu tempero faz quem provar se amarrar”. Doris Day pode representar o conservadorismo em pessoa, mas a verdade é que ninguém tinha esse tempero tão especial quanto ela. A moça era talentosa e infelizmente não foi valorizada como deveria. Toda vez que estou com um filme dela nas mãos, fico pensando no nível de farofa/polentice que virá. E aí você se pergunta: será que essa mulher nunca fez um filme que não seja polenta? A resposta é: SIM! E é desse filme que falaremos hoje: Dilema de uma consciência.

Na verdade, eu diria que Dilema de uma consciência usou a tal “polentice” de Doris (aka seu charme interioriano de Cincinnati, Ohio) de forma a construir um personagem convincente, vitimizado e que nos irrita e cativa ao mesmo tempo. Além disso, a polentice de Doris é confrontada com outra atriz, que ficou relegada aos filmes com Fred Astaire: Ginger Rogers. O filme é uma ótima oportunidade para vermos as duas atrizes saindo da zona de conforto e mostrando toda a extensão de seu talento.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Seu Único Desejo (1955)


Primeiramente, tenho que compartilhar a dificuldade que tive pra encontrar esse filme. Fiquei ansioso para assistí-lo no minuto em que soube que Anne Baxter e Rock Hudson protagonizaram um (dramalhão) romance juntos! Com uma fotografia exuberante em technicolor e uma trama bastante ousada, "One Desire" nos hipnotiza por uma hora e meia.

Anne Baxter já havia emplacado alguns filmes na década de 50, como Eve ou o suspense "A Tortura do Silêncio" de Alfred Hitchcock. Mas o galã do filme dirigido por Jerry Hopper tinha recém estourado em "Sublime Obsessão", às vezes penso na carreira de Rock em antes e depois de Giant , como se antes ainda houvesse algo a provar. O filme retrata o relacionamento aberto de um apostador e a cafetina dona de um cassino.

#Tradução: Em busca do hipertendido, uma crítica ao filme "Uma rua chamada Pecado"

                                                    
Em busca do hipertendido


Cahiers du Cinéma, Número 12, maio de 1952
Renaud de Laborderie
Traduzido por Jessica Bandeira

É evidente que este filme representa um louvável esforço rumo à qualidade e que não foi absolutamente concebido e dirigido para agradar o gosto do espectador médio americano cuja idade mental, segundo as estatísticas, está em torno dos 12 anos. A peça, que está quase perto de ser uma fiel transposição, estava destinada a um público bastante exclusivo e “sophisticated” da Broadway, que, por assinar o jornal New Yorker, gosta de ter alguma responsabilidade cultural, algum interesse pelas afetações nuançadas de intrigas dramáticas ditas avant-garde. Estamos, então, prevenidos: o filme será inteligente, hábil, sutil. Mas também será para Chaplin o que Christian Bérard é para Picasso e o que Henry Sauguet é para Strawinsky. 

Trata-se de um filme de autor, muito mais que nenhum outro, e a presença desse autor, Tennessee Williams, o coage até que ele sufoque. Pergunto-me se o espectador que entra por acaso, atraído pelo cartaz friamente erótico do qual os distribuidores, conscientes da hermética inteligência do título, pediram algum socorro, entenderá bulhufas do desenrolar dessa história estranha, contada às vezes, convenhamos, com muita arte. 

sábado, 6 de setembro de 2014

Tudo que o céu permite (1955)


“Doug, Doug, faça-os chorar, por favor, faça-os chorar!” - Era assim que, segundo Douglas Sirk, o produtor Ross Hunter costumava apresentar-lhe algum projeto. Sirk, considerado o pai do melodrama, e, consequentemente, de toda uma série de novelões mexicanos ou brasileiros, além de ter inspirado diretores como Pedro Almodóvar, entretanto, tem um dom especial, que o diferencia de todo o resto do gênero: ele pega uma história que pode ser considerada boba, ou até exagerada demais, e lhe dá um tom pessoal e convincente. E acaba, por fim, conseguindo tocar a alma do espectador.

Foi assim com Tudo que o céu permite, de 1955, o quinto filme da parceria entre Douglas Sirk e Rock Hudson - eles fariam nove filmes juntos no espaço de seis anos - e o segundo com o par romântico de sucesso Jane Wyman-Hudson. Uma crítica ácida à sociedade da época, seus costumes quase que ultrapassados, o preconceito e a hipocrisia, lançado em uma época em que a revolução sexual apenas engatinhava, All that heaven allows, no original, é um filme extremamente marcante, de visual sofisticado, e que conta uma história que talvez não seja tão exclusivamente da década de 1950 como pareça.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Chamas que não se apagam (1956)



Olivia de Havilland e Errol Flynn. Ginger Rogers e Fred Astaire. Cary Grant e Kate Hepburn. Todo mundo (ou quase todo mundo) tem um casal preferido no cinema, o que carinhosamente chamamos de ship. Inclusive o fenômeno se alastrou tanto que até um verbo foi criado: shippar. Quando você shippa um casal (heterossexual ou não), tem que estar com o coração preparado para grandes emoções. Significa falar com a televisão enquanto vê os filmes, torcer pelo casal, surtar pelo casal, dormir e respirar aquele casal. Eu já disse que shippar desafia as leis da normalidade?

É claro que para essa festa eu cheguei mais do que atrasada. Fred MacMurray e Barbara Stanwyck foram chegando de mansinho em meu coração. Primeiro assisti Pacto de Sangue (já resenhei por aqui) e fiquei meses com o filme na cabeça. Depois reassisti, reassisti mais umas 9849 vezes antes de dormir e assim eles foram tomando o lugar vago de um ship de cinema clássico aqui neste coração de manteiga. Depois de quase enjoar de tanto ver Pacto, fui conhecer melhor a carreira de Stanwyck e qual não foi minha surpresa ao descobrir que:

a) existia um filme pré Pacto de Sangue estrelado pelos dois!

b) eles estrelaram no total quatro filmes juntos (Nossa Senhora do Ship, me dê a mão, cuida do meu coração)

c) os dois eram muito amigos, senão me engano ele fazia parte do grupo de amigos que escoltava Barbara nas festas depois de seu divórcio bafônico com Robert Taylor (que amigos, hein)

There’s always tomorrow, de 1956, é o último filme da dobradinha MacMurray-Stanwyck. É a maturidade da dobradinha, digamos assim. Aliás, correção: ultima dobradinha em um filme de Douglas Sirk. Sente só o que vem por aí.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Dez cenas mais sensuais do cinema

Às vezes a magia no cinema está naquilo que a câmera não diz, que nos deixa pensando. Chamamos esse processo de elipse. Outras vezes, a graça está justamente no que a câmera nos revela, mas de um jeito todo especial. Hoje decidimos eleger as 10 cenas mais sensuais do cinema.

Mostrar a sensualidade e o sexo no cinema sempre foi um processo de ilusão na minha opinião. O erotismo no cinema nos fascina, embora esteja sempre distante da realidade. Ninguém pensa em transar como nos filmes, isso não existe. Não importa. Ver uma bela cena de amor no escurinho do cinema tem seu valor. Desde o surgimento do cinema, os diretores mostraram o sexo de diversas formas. Quando o código Hayes de censura chegou em Hollywood, essas pessoas provaram que podiam falar de sexo através de metáforas e elipses. Depois com a revolução de 1960, as cenas se tornaram mais “reais”, tentando se aproximar do nosso cotidiano. Selecionamos cenas para todos os gostos, desde as mais poéticas até as mais explícitas, por vezes até chocantes. Cenas que, de alguma forma, quebraram padrões na maneira como o sexo e o erotismo é tratado nos filmes.

Não foi fácil elaborar a lista, confesso. Também confesso que meu gosto pessoal influenciou bastante nela. Por isso, se lembrarem de alguma cena que ficou de fora, escrevam na valorosa caixa dos comentários!

Vamos ao nosso top 10?

domingo, 15 de junho de 2014

Um Lugar ao Sol (1951)


Dois ícones em ascensão e um diretor visionário aliados em uma grande produção só poderia resultar em um dos maiores clássicos de todos os tempos. A jovem Elizabeth Taylor tinha somente 17 anos na época das filmagens e já era bastante conhecida pela participação em filmes como "A Mocidade é assim mesmo" e "Quatro Destinos", sempre em papéis juvenis. Em 1951, isso estava prestes a mudar já que estava na mira da Paramount que aguardou o momento certo para oferecer-lhe o papel de Angela Vickers. Montgomery Clift mal tinha dado os primeiros passos e já era uma promessa desde que protagonizou "Tarde Demais" com Olivia de Havilland, dirigido por William Wyler. Parece que nada poderia dar errado e George Stevens merece todo o crédito por suas intuições na produção de "A Place In The Sun".

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Quando o coração floresce (1955)


"All my life I stayed at parties too long because I didn’t know when to go."
Ser solteira é quase... uma profissão, digamos assim. Não uma profissão fácil, nem sempre feliz. Você pode ir em qualquer festa e existe aquele clima aparentemente forçado de "somos todos muito felizes, que ótimo, que barato", etc, etc. E no fundo, todo mundo espera alguma coisa acontecer, a qualquer hora, como se nossa vida fosse um filme, e o ponto alto, ou mesmo o plot twist ainda não tivesse chegado. No fim das contas, a maioria das pessoas - ou as pessoas muito viciadas em cinema, como essa que vos fala - espera esse tal de milagre, que muda tudo, e aí toca Ain't no Mountain High Enough quando você anda na rua, e fica tudo ótimo. Bem, muitas vezes esse plot twist demora, e talvez não venha nunca. Na verdade, isso parece coisa de gente que vive no mundo da lua. Mas bem lá no fundo, todo mundo espera o mesmo.

Essa busca por algo que é difícil de ser nomeado, é um dos motivos que levam Jane Hudson (Katharine Hepburn), uma secretária de Ohio, até Veneza. Na história de Quando o coração floresce (Summertime), ela embarca em uma jornada de autodescoberta e de aventura, e descobre que o tal do milagre não é tãããão impossível assim de acontecer.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Umberto D. (1952)


Na época do pós-guerra, aos poucos a Europa se reerguia. A Itália, particularmente, começa a ter sinais de progresso. No entanto, uma parte da população sofre com a nova era que surge: são os idosos. Desrespeitados, relegados ao segundo plano, completamente esquecidos. E essa é a imagem que Vittorio De Sica nos dá em Umberto D., filme que dedicou ao seu pai. Com poucos personagens, sendo a cidade um deles - como um vilão que aos poucos cerca sua vítima - Umberto D. é o retrato de um período, com um tema que está longe de ser datado.

Não só contente em expor a situação, De Sica vai mais além: ele sabe como ninguém destruir o espectador emocionalmente. E ele consegue, por fim, um dos mais belos filmes já feitos.

sábado, 5 de abril de 2014

A roda da fortuna (1953)

The world is a stage
The stage is a world of entertainement!



Poucos diretores souberam se valer da metalinguagem, ou seja, falar sobre o cinema dentro de um filme, tão bem quanto Vincente Minnelli. Assim estava escrito (The bad and the beautiful) é um ótimo exemplo da fusão entre as fronteiras que separam a arte da vida real. Será que a vida imita a arte? Ou a arte imita a vida? Questões duras que o seu Aristóteles tentou responder. O fato é que Minnelli se vale da metalinguagem, dessa vez, para falar do mundo do teatro em A roda da fortuna (The bandwagon).

The bandwagon está repleto de referências ao mundo do cinema e da arte. O filme começa com as luvas e a famosa cartola, marcas do nosso ator principal, Fred Astaire. O picolino (Top Hat) também se vale da cartola+luvas, e só podemos concluir que Minnelli exalta a figura lendária desse dançarino maravilhoso que foi Fred Astaire desde o começo do filme. Além disso, em outros momentos também podemos perceber essa fusão entre mundo real e arte, algo que falarei em seguida. Antes talvez seja digno relatar um pouco a sinopse de The bandwagon – atentem para o fato de que sou péssima em fornecê-las –: Tony Hunter (Fred Astaire) é um dançarino-cantor que não está mais com essa bola toda, mas que é ajudado por seus amigos a se reerguer. Aqui já temos outro momento de metalinguagem, pois coincidentemente (ou não), Astaire passava por esse mesmo momento em sua vida pessoal. Quando começou a trabalhar em The bandwagon, Fred estava saindo de um fracasso, Ver, gostar e amar (The belle of New York). Minnelli aproveitou essa coincidência nos presenteando com uma cena engraçadíssima, logo que o filme começa. Nela, dois homens estão conversando sobre Tony, dizendo que outrora ele tinha sido um grande ator, mas que agora era um veneno de bilheteria. O homem com o jornal na frente do rosto, que está próximo dos personagens sem participar da conversa, resolve se manifestar. Ei, é o próprio Tony Martin! Ele mesmo concorda com tudo que os dois homens falam, realmente, ele era um veneno para as bilheterias. Assim como Fred, outros atores sofreram com a maldosa designação, entre eles Joan Crawford e Greta Garbo.

terça-feira, 11 de março de 2014

Sob o signo do sexo (1959)



O cinema é o espelho da sociedade. Os valores pregados por ela estão em cada filme que assistimos, diretamente ou não. Talvez a percepção disso tenha me estragado como cinéfila. Não há filme que espelhe mais a sociedade dos anos 50 do que Sob o signo do sexo. Mas não se engane, pois você vai encontrar muitos ecos do que este filme preconiza nos dias de hoje. E é por isso que o escolhi, numa tentativa de mostrar que ainda pensamos como a sociedade dos anos 50 sob muitos aspectos. Sim, lá vem um post feminista.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

As diabólicas (1954)


Talvez você não os conheça de nome, mas certamente já tentou desvendar o mistério de alguma de suas histórias. Pierre Boileau e Thomas Narcejac foram talvez a fonte mais criativa de histórias para o cinema na década de 50 e 60. Esses dois caras, que escreviam juntos e utilizavam o nome artístico Boileau-Narcejac, foram os mestres do polar – o romance policial francês – nesse período. Um corpo que cai, de Hitchcock, é baseado em um de seus romances, Sueurs Froides. Além disso, outros filmes foram inspirados em suas histórias, como Maléfices dirigido por Henry Decoin. Boileau-Narcejac nem sempre são lembrados como os principais autores de romance policial francês; não em um mundo em que existe Arsène Lupin e Maigret. Apesar de ser uma pena, não enxergo isso como um problema, pois esses dois autores estão na cabeça de muitas pessoas que assistiram Um corpo que cai e As diabólicas, que acabaram se tornando dois chef-d’oeuvre da obra de Boileau-Narcejac. E, senhores, As diabólicas é talvez o melhor filme noir que você já viu na vida.