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Mostrando postagens com marcador #comédia. Mostrar todas as postagens
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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Aconteceu naquela noite (1934)


Quando eu volto no tempo e lembro da época em que comecei a me apaixonar pelo cinema clássico hollywoodiano, a primeira coisa que me vem à mente é a absurda quantidade de vezes que assisti Aconteceu naquela noite quando eu tinha 12/13 anos de idade. Eu não sabia baixar filmes, e minha única fonte de filmes clássicos era uma (hoje finada) locadora especializada em filmes antigos. É óbvio que eu copiava os filmes para poder vê-los quantas vezes quisesse, se gostasse. Apaixonada por Clark Gable, devido às repetidas sessões de ...E o vento levou, fiquei muito feliz ao encontrar o lindo na capa de Aconteceu naquela noite. Levei para casa e assisti imediatamente. E simplesmente foi amor à primeira vista. Durante os meses seguintes, não passava uma semana sem que eu revisse essa deliciosa comédia romântica.

Muito mais tarde eu descobriria que o diretor dessa maravilha se chamava Frank Capra, e que aquela era só a entrada VIP para sua filmografia fascinante.

No dia em que comemoramos o nascimento de Capra, relembramos Aconteceu naquela noite, um dos maiores sucessos da carreira do diretor, e a mãe de todas as comédias românticas.

terça-feira, 12 de maio de 2015

A mulher do dia (1942)



Hoje seria aniversário de uma das mulheres mais influentes e pra frentex que já tivemos em Hollywood. Em um sistema dominado por homens, em que as mulheres tinham bem menos poder do que atualmente, ela atreveu-se a quebrar regras. Não foram as calças compridas que tornaram Katharine Hepburn mundialmente famosa; e sim sua personalidade, que muitas vezes atravessava os papeis que fez no cinema.

A mulher do dia é um desses incontáveis trabalhos de uma atriz que foi indicada 12 vezes ao Oscar. Sua personagem, Tess Harding, é uma mulher completamente fora dos padrões esperados em 1942. Apesar da lição de moral sexista dada no final do filme (segura o spoiler!), Kate aproveita para dar aquela sapateada básica na cara do cinema. Aqui ela é uma mulher influente, independente, tudo que gostaríamos de ver mais em filmes antigos. Além disso, A mulher do dia foi o primeiro filme da parceria Katharine-Spencer Tracy dentro e fora das telas. 

terça-feira, 28 de abril de 2015

Dois velhos rabugentos (1993)




Jack Lemmon sem Walter Matthau poderia ser um trecho da canção daquela canção que começa com avião sem asa, fogueira sem brasa... Lemmon e Matthau formaram uma das grandes parcerias cômicas em Hollywood, estrelando dez filmes juntos. O primeiro deles foi Uma loura por um milhão, dirigido por ninguém mais ninguém menos que Billy Wilder. Depois veio o clássico dos clássicos Um estranho casal e o resto é história. 

Que tal uma dose desses dois no feriado? Coroada com toques de Ann-Margret? Estamos falando de Dois velhos rabugentos, o sexto filme da dupla. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

A costela de Adão (1949)


Nunca escondi aqui no blog que Katharine Hepburn é a minha atriz favorita, e que o casal que ela formou com Spencer Tracy dentro e fora das telas me deixa em modo sofrência. Já dediquei um post antes para falar da história dos dois, e do quanto admiro/invejo a capacidade de Kate ter amado esse cara de maneira tão incondicional e não-egoísta (logo ela, que era uma pessoa tão "eu, eu, eu"). 

Bom, essa linda química não ficava só nos bastidores: eles fizeram nove filmes juntos, e se tornaram o casal-modelo das comédias românticas da maneira que as conhecemos hoje - o par que se detesta e se alfineta o tempo todo, mas que no fim das contas, acaba junto; a velha comédia da guerra dos sexos. Esse foi um tema que permeou alguns de seus filmes. O exemplo mais claro disso - e também meu favorito da dupla - é A costela de Adão, de 1949.

Katharine Hepburn sempre foi uma mulher fora do comum, a frente do seu tempo. Em uma sociedade machista e patriarcal, ela sempre fez o que quis sem perguntar a opinião de alguém. Foi a mulher fabulosa que sua família a criou para ser. Mas o que isso tem a ver com o filme? Pois é. Acontece que Amanda, a personagem da atriz em Adam's Rib, é mais uma daquelas que deixa transparecer nas telas muito do que ela pensava e era. Não tinha pra ninguém. Muito menos para o pobre personagem de Spencer, Adam.

terça-feira, 10 de março de 2015

O clube das desquitadas (1996)



Anteontem, dia oito de março, foi o dia internacional da mulher. Muito mais do que receber flores, parabéns ou chocolates esse é um dia (e todos os outros 364 do ano também) para refletirmos à respeito de como Hollywood retrata as mulheres. Por que não vemos diretoras, roteiristas sendo indicadas ao Oscar? Por que mais atrizes negras não vencem o Oscar? Por que Patricia Arquette tem de discursar a favor de salários e direitos iguais (e seu discurso foi bem problemático, mas não vamos entrar nesse mérito por aqui) em 2015? Porque, amigx, a verdade é que ainda há um caminho muito comprido a ser percorrido pelas mulheres.

Queria ter escolhido um filme que emponderasse as mulheres, mas lá pelas tantas pensei que valeria mais a pena levantar problemas para que possamos pensar em como o cinema nos retrata. O clube das desquitadas é um de meus filmes favoritos e, como feminista, é duro ver alguns clichês repetidos à exaustão como mostrar que as mulheres são inimigas umas das outras e que a felicidade plena se baseia na escolha de alguém para passar o resto da vida com você.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ciúme, sinal de amor (1949)


"I adore the man. I always have adored him. It was the most fortunate thing that ever happened to me, being teamed with Fred: he was everything a little starry-eyed girl from a small town ever dreamed of."
(Ginger Rogers)

"He gives her class and she gives him sex appeal."
(Katharine Hepburn)

Hollywood é a terra, entre outras coisas, da fofoca. É meio que impossível distinguir os boatos das verdades. Algumas dessas fofocas acabam por tornarem-se lendas. É o caso do relacionamento profissional e pessoal de Fred Astaire e Ginger Rogers.

É impossível falar do último filme que essa dupla fantástica fez, sem comentar sobre os aspectos pessoais que envolveram a parceria. Isso porque The Barkleys of Broadway, de 1949, dizem as más línguas, é de certa forma uma fábula daquilo que foi o relacionamento real entre Fred e Ginger.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Um anjo caiu do céu (1947)



Como Jessica disse na edição dos Clássicos de Natal do ano passado: então é Natal, e que filme iremos assistir? Tendo isso em mente, trazemos de volta a série de posts com clássicos natalinos para você entrar no clima da data.

E começamos com um filme de 1947, que traz nada mais, nada menos, Cary Grant no papel de um anjo um tanto quanto safado e conquistador. Além dele, Um anjo caiu do céu traz também David Niven (que tem cara do tio que faz a piada do pavê) e Loretta Young nos papéis principais, e contém todas aquelas boas sensações que geralmente os filmes ambientados nessa época nos provocam.

E olha, tomara que, se os anjos existirem, eles sejam igual ao Cary Grant nesse filme.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Ontem, hoje e amanhã (1963)


"Marcello, Marcello... A corrida atrás do sol não teria sido tão intensa e plena de satisfação sem ele. Seu olhar doce e seu sorriso belo sempre me acompanharam, proporcionando segurança, alegria e mil outras emoções (...) uma longa amizade, densa de afeto e ternura, que no set eu sabia se iluminar de paixão."

(Sophia Loren, em sua recente autobiografia "Ontem, hoje e amanhã")

Se houve um casal com química nas telas, foi Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Considerados os maiores astros do cinema italiano, Sofi' e Marcello trabalharam juntos em 12 filmes, começando em 1954 e indo até o derradeiro trabalho em Prêt-à-Porter, de Robert Altman, em 1994. Nesse último trabalho, os dois reprisaram uma cena de um de seus filmes mais famosos: Ieri, oggi, domani, em português Ontem, hoje e amanhã. Nesse filme temos não só esse casal fantástico, mas o diretor que soube como ninguém tirar proveito da química de Mastroianni e Loren: Vittorio De Sica. Sophia chama em seu livro esse trio de "fantástico". Os três se divertiam muito fazendo cinema, e isso nunca ficou tão claro quanto nesse grande sucesso, que ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 1964.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

As férias do pequeno Nicolau (2014)


O cinema francês tem fama de tedioso, de ser único e exclusivamente dedicado aos filmes de autor. Eles não fazem blockbuster. Você nunca entende o final, nem que assista um milhão de vezes. Quem infla o peito para dizer frases como essas não sabe que está espalhando uma grande mentira. Os franceses atravessaram os portões dos filme de autor há muito tempo. De vez em quando eles até se aventuram a realizar filmes para a família. As férias do pequeno Nicolau é um deles.

É um filme para o grande público? Sim, é, mas a qualidade é estupenda!

Le petit Nicolas é a Turma da Mônica francesa. Todas as crianças francesas cresceram lendo ou, pelo menos, já ouviram falar. O único porém é que Le petit Nicolas não é um quadrinho, mas sim uma série de livros infantis, ilustrados por Sempé e escritos por René Goscinny. As histórias são contadas por Nicolas, um garoto que vive nos anos 60 e se mete em um monte de confusões. Os livros são leves, gostosos de ler, especialmente se você está aprendendo francês. Como as histórias são contadas por Nicolas, a linguagem tem aquele ar infantil. É um retrato muito engraçado e divertido da infância, com direito à turma de amiguinhos e amor platônico.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A era do rádio (1987)


"Agora tudo acabou. Exceto em minhas recordações. O cenário é Rockaway e a época é minha infância (...) perdoe-me se romantizo. A vizinhança onde cresci nem sempre era tão turbulenta e chuvosa, mas é assim que me lembro dela. Naquela época o rádio estava sempre ligado." 

Nunca escondi por aqui o fato de ter Woody Allen como diretor favorito. Já contei antes em outros posts como Woody sempre parece ter a palavra certa no momento certo. Assim, pareceu certo usar meu aniversário, que aconteceu por esses dias, como desculpa para comprar o box com 20 filmes seus. Faz algum tempo que eu e o dito box de dvds nos observamos mutuamente na Saraiva, e agora, fico feliz em dizer, estamos em um relacionamento sério.

O negócio é que eu, como pregadora da Igreja Universal do Reino de Woody Allen  fã do diretor, já assisti antes boa parte dos filmes que vieram na caixa. Masss, felizmente, ainda restaram alguns que, por algum motivo ou outro, eu ainda não tinha visto. E agora estou nessa aventura maravilhosa de ver o que falta. E escolhi começar com A era do rádio, de 1987.

Um dos filmes mais ternos de Woody Allen, me lembrou, entre outras coisas, de como o diretor consegue tirar o melhor dos atores com quem trabalha. Além disso, acredito que esse é o filme mais autobiográfico da sua carreira. Por fim, Woody consegue que o espectador acabe por sentir saudades de uma época  que não viveu. Senhoras e senhores, Radio days!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Magia ao luar (2014)


"I believe that the dull reality of life is all there is,
but you are proof that there's more, more mystery, more magic."

A tradição de ir ao cinema para ver o filme anual de Woody Allen não decepciona. Desde Meia-noite em Paris eu tenho seguido esse costume à risca. E sempre procuro levar alguém comigo, pois sei que vão me agradecer depois. No entanto, esse ano só consegui ver Magia ao luar, o filme dele desse ano, aos 45 do segundo tempo. Faziam dois meses que eu surtava com o trailer, e com o fato de ter Colin Firth em um filme do Woody Allen. Mas, como os cinemas da minha cidade dão preferência aos blockbusters, um mês da estreia se passou - e nada. Já resignada com a tradição sendo quebrada esse ano, descobri que - finalmente - o filme iria passar na cidade, durante uma mísera semana. E arrastei minha irmã e minha melhor amiga comigo nessa empreitada. 

E como todo bom filme de Woody Allen, ao final temos:

a) Um personagem que representa o próprio Woody dentro da história;
b) Um personagem feminino maravilhoso;
c) Uma trilha sonora encantadora;
d) O diretor tirando o melhor dos seus atores;
e) O desejo de que Allen viva até os 150 anos para continuar nos dando um filme por ano.

Fazendo promessas para Nossa Senhora dos Filmes Ótimos já!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Os cinquenta anos de A Feiticeira


"Era uma vez uma garota tipicamente americana, que certo dia, chocou-se contra um típico rapaz americano. Ela chocou-se contra ele...... E outra vez chocou-se contra ele! Por isso decidiram sentar-se e conversar a respeito, antes que sofressem um acidente. Tornaram-se bons amigos e descobriram que tinha muitos interesses em comum. E quando o rapaz percebeu que ela era desejável, atraente e irresistível, fez o que qualquer rapaz americano teria feito, pediu-a em casamento. Tiveram um casamento típico e partiram para uma típica lua de mel em uma típica suíte matrimonial. Tudo tipicamente normal.

Exceto pelo fato de que esta garota... é uma feiticeira."

Há exatos 50 anos atrás, estreava assim uma das séries mais queridas da televisão americana: Bewitched, conhecida por aqui como A feiticeira. Com sua música-tema e abertura inconfundíveis, a série, com a  história da bruxinha que se apaixona e casa com um mero mortal, tomou rapidamente o coração dos americanos, em uma época em que, cada vez mais, a televisão ganhava destaque na vida das pessoas. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Bola de fogo (1941)


Bola de fogo (Ball of fire) é daqueles filmes em que a gente vive quase uma experiência extracorpórea. Tudo nos tira do chão: as atuações, o roteiro de Billy Wilder e Charles Brackett, a direção, o romance, o lelele de Barbara Stanwyck. Eu desafio você a NÃO gostar desse filme. Mais do que informar as curiosidades do filme e fazer grandes análises, hoje gostaria de contar um pouco do que senti assistindo Missy, Gary Cooper e Dana Andrews nessa comédia de Howard Hawks. Ou sobre como Bola de fogo arrancou meu coração fora.

A screw ball comedy foi um gênero de filme muito popular, que surgiu na época da Grande Depressão. Nos anos 40, ela vivia seu auge. O que você deve saber sobre este gênero: confusão. Essa é a palavra chave. O filme inteiro é (quase) sempre calcado em um mal entendido, no caso de Bola de Fogo temos uma personagem que está fugindo da polícia e se esconde na casa de um estudioso com a desculpa de ser cobaia para suas experiências linguísticas. A screw ball comedy chama a atenção pelo bate-bola-jogo-rápido. Como assim? Os personagens sempre têm uma resposta na ponta da língua, uma respostinha afiada, cheia de ironia. Às vezes é difícil acompanhar e processar o que eles estão dizendo. Quem viu Bola de Fogo há de concordar comigo que, de vez em quando, é difícil entender as ironias de Sugarpuss O’Shea. Alguns outros filmes desse gênero são Levada da Breca, resenhado pela Camila por aqui, Aconteceu naquela noite, As três faces de Eva etc etc etc.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A incrível Suzana (1942)

- If you're Swedish, suppose you say something in Swedish.
- "I want to be alone"...?
Nessas últimas semanas tive um surto de Ginger Rogers, mas sem Fred Astaire. Porque é fácil esquecer de vez em quando que ela foi muito mais do que a parceira de dança dele em memoráveis musicais. Mesmo que nesses mesmos filmes seja possível observar a veia cômica de Ginger Rogers, quase nunca isso é lembrado, e ela acaba ficando relegada ao papel da garota que dançou cheek to cheek com Fred em 10 filmes. Já até havia comentado sobre isso aqui, quando postei sobre outro filme dela, Vivacious lady. Filme esse, aliás, que revi durante o período de overdose de Ginger. Acabei assistindo em um mesmo fim de semana esse e mais três outros filmes: No teatro da vida (1937),  Era uma lua-de-mel (1942) e A incrível Suzana (1942). Esse último foi o que mais gostei, e que acabou até entrando na minha lista de favoritos. Eu adorei o filme, e só depois fiquei sabendo que ele fora dirigido por Billy Wilder, um dos meus diretores favoritos. No original The major and the minor foi o primeiro filme que ele dirigiu em Hollywood. 

A boa combinação entre Ginger e Ray Milland (que eu ainda não tinha visto em uma comédia), e o humor delicioso de Billy Wilder, A incrível Suzana é uma boa pedida para quem procura um filme para dar boas e fáceis risadas nesse fim de semana. Afinal, é uma sátira que quase não se leva a sério. Uma comédia de troca de identidade, que funciona principalmente apoiada em seus versáteis protagonistas, possuidores de uma grande química juntos nas telas.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Indiscrição (1945)


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Barbara Stanwyck: a mulher que podia fazer tudo. Uma lenda das telas.

Uma das maiores atrizes da era clássica do cinema estaria completando 107 anos hoje. Com mais de 80 filmes no currículo, Stanwyck sofreu da mesma síndrome que atormenta Leonardo di Caprio: a Academia simplesmente não reconheceu seu talento. Foi indicada ao Oscar quatro vezes, todas por filmes lacradores, e não ganhou nenhum. Mais para o final de sua vida ganhou o prêmio Cecil B. De Mille, o Oscar honorário pelo conjunto da obra. A programação do canal americano, TCM , homenageia a diva exibindo filmes para todos os gostos. É aí que quero chegar.

Não é a toa que coloquei no começo deste post o banner que o TCM está utilizando para anunciar a maratona Barbara Stanwyck. Nas palavras de uma amiga minha: “ela canta, dança, sapateia, samba na cara”. E é verdade. Poucas atrizes conseguiam ser tão versáteis quanto ela. Fez drama (Stella Dallas – um filme para ver e rever), filme noir (lacradora como Phyllis, a vilã de Pacto de Sangue), suspense (Sorry wrong number, QUE FILME!) e muito mais. Nesta pequena homenagem a ela, falaremos sobre uma de suas facetas menos conhecidas, acredito: a comédia. Indiscrição (Christmas in Connecticut) é uma deliciosa surpresa tanto no quesito roteiro quanto atuações.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Os 25 anos do episódio piloto de Seinfeld


Jerry, George, Kramer e Elaine. Quatro personagens fictícios que são para mim como amigos conhecidos, muito queridos, que jamais falham em me animar quando estou deprimida. Eles sabem tudo sobre o nada. Aliás, é sobre isso que Seinfeld, a série estrelada por esses quatro personagens, fala: nada.

Uma das séries de mais sucesso nos Estados Unidos e no resto do mundo, Seinfeld ganhou esse título mesmo, de "a série sobre o nada", e nessa semana fez aniversário; são 25 anos desde que o episódio piloto foi lançado. The Seinfeld Chronicles, como se chamava o tal episódio, foi ao ar ainda com um ar rudimentar, no dia 5 de julho de 1989. Na primeira cena, Jerry e George debatiam sobre o lugar de um dos botões da camisa de George (isto é, nada). Assim começou a série que mudou a vida de muita gente, retratando o cotidiano do norte-americano, mais especificamente, do nova-iorquino, de modo geral. Mas muita coisa mudaria do piloto para o sucesso absoluto que conhecemos hoje. 

Ladies and gentlemen, the show about nothing!

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Última Noite de Boris Grushenko (1975)

"Amar é sofrer. Para evitar o sofrimento, um não deve amar. Mas então, um sofre por não amar. Portanto, amar é sofrer; não, amar não é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar. Ser feliz então é sofrer, mas sofrer te faz infeliz. Portanto, para ser infeliz, um deve amar, ou amar o sofrimento, ou sofrer de demasiada felicidade"
Uma mistura de Tolstói e Dostoiévsk (sobretudo de referências à Guerra e Paz e Os irmãos Karamazov, de onde Woody tirou  o nome do protagonista), questões existenciais, referências ao cinema de Ingmar Bergman e o humor físico de Buster Keaton, A Última Noite de Boris Grushenko (no original, Love and Death) é uma das grandes obras de Woody Allen, e o melhor da sua fase-pastelão dos anos 70. Além do mais, é a primeira fase da parceria frutífera com Diane Keaton, que comentei mais a fundo no post sobre Annie Hall. Aqui, Woody debocha da vida num geral, e faz rir com piadas e gags que surgem no ritmo de uma metralhadora.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Aconteceu em Havana (1941)


Ela está no nosso imaginário, na construção de nossa subjetividade como brasileiros e pessoas. Carmen Miranda, assim como o futebol, é uma parte de nós, daquilo que é ser brasileiro. Mas se a influência do futebol é visível, a de Carmen não parece muito clara para nós. É até mesmo controversa. Para alguns, ela traiu o movimento ao se mudar para Hollywood, outros permanecem orgulhosos com o fato dessa atriz de origem portuguesa e nascida no Brasil representar um pedacinho do Brasil na era de ouro do cinema em Hollywood.

Não há ninguém que não a reconheça com seu turbante de frutas, fazendo uma dança pra lá de sensual numa época em que requebrar os quadris como a Shakira era um crime contra a decência. Alguns se lembrarão dela ao lado de sua irmã, Aurora, ao lado de Zé Carioca e Pato Donald cantando Aquarela do Brasil. Partidários ou não de Carmen, temos de admitir que ela exerceu uma grande influência em Hollywood. Mais emblemático do que Lucille Ball imitando Carmen Miranda em seu seriado para mim não há. 

Falar sobre os filmes de Carmen Miranda é tão essencial quanto levantar e escovar os dentes para não ter cáries. Isso porque eles estão esquecidos, e não se pode esquecer uma parte tão importante do cinema e muito menos alguém tão importante quanto ela. Talvez este texto, que se propõe a falar singelamente sobre um de seus filmes, fale mais dela do que de qualquer outra coisa. Fazer o quê, se Carmen Miranda aparecia e roubava a cena? É o que acontece em todos os 11 filmes que ela fez.

sábado, 14 de junho de 2014

Harry & Sally - Feitos um para o outro (1989)

 It is so nice when you can sit with someone and not have to talk.
 1979. Depois de um longo casamento com a também diretora Penny Marshall, Rob Reiner estava de volta ao mundo dos solteiros. Existe vida depois do divórcio? Parece que sim, afinal, e Rob levou dez anos para refletir, com certa dose de cinismo, acerca das relações entre homens e mulheres, e também como as duas partes veem as coisas de pontos de vista totalmente diferentes. Ele precisava fazer um filme sobre isso. Bem, Reiner tinha a visão masculina, é claro. Junto com o produtor Andrew Scheinman, ele desenvolveu várias ideias. Mas e o outro lado da moeda? Bastaram alguns telefonemas para Nora Ephron para convencê-la a roteirizar a história, que ainda não estava totalmente firme. Muitos almoços e jantares e telefonemas e discussões dos três depois, nascia o roteiro de Harry & Sally. De muitas maneiras, Rob era Harry, assim como Nora era Sally - e vice-e-versa.

Com um jeito Woody Allen de questionar relacionamentos, Harry & Sally fechou a década de 80 com chave de ouro. E trazia um questionamento que resumia bem seu espírito, assim como as diferenças entre o sexo masculino e o feminino: afinal, homens e mulheres podem ser amigos sem colocar o sexo no meio em algum momento da relação? E a resposta vem na forma de entretenimento cinematográfico da melhor qualidade, coroado por elenco e diálogos brilhantes.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Alta fidelidade (2000)


"What came first, the music or the misery?"
Ah, os esnobes musicais! E quando eu digo esnobes musicais, me refiro aos hardcore ones. Você realmente não conhece (a rabugice de) Rob, Barry e Dick. Mas precisa conhecer. A vida desses caras é ditar o que é bom e o que é intragável, diferenciar o aceitável do vergonhoso... e fazer listas Top 5 de absolutamente tudo, não só de música. 

A cultura pop, desde que chegou ao mundo de mansinho nos anos 60, e logo varria tudo e todos, certamente teve grande influência no que somos hoje. Toda essa representatividade do pop (há quem chame de "cultura inútil". Obviamente, não sou uma dessas pessoas) está brilhantemente colocada na vida do personagem vivido por John Cusack em Alta fidelidade, filme baseado (e quase completamente fiel) no livro homônimo de Nick Hornby. É delicioso, é pop. E vai fazer você gostar (mais, muito mais) de música. E descobrir coisas nesse mundo fascinante das letras e melodias das quais você não tinha nem ideia.