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domingo, 1 de março de 2015

Edie & Thea: um longo compromisso (2009)



Edith Windsor e Thea Spyer me escolheram. Agora tenho certeza disso. Conheci essas simpáticas moças da foto acima quando estava olhando algumas fotos históricas de mulheres lésbicas. Elas eram as últimas e a foto delas me chamou muito a atenção: estavam muito perto, prestes a se beijarem. Aquela foto refletia tanto amor que imediatamente coloquei de fundo da minha área de trabalho. Sem ao menos conhecê-las. Eu ficava olhando para essa foto fascinada. Queria decifrar os traços de cada uma delas, o que estavam pensando quando aquela foto foi tirada? O que aquele momento realmente capturou?

Minha alma de tradutora, incansável nas pesquisas, levou-me a pesquisar mais sobre essas duas mulheres maravilhosas. Edie e Thea foram uma inspiração para a comunidade LGBT, um exemplo de resistência. E não é a toa que existe um documentário sobre as duas, Edie & Thea: um longo compromisso.

Aí começou a via crucis que passo toda vez que fico obcecada para encontrar algum filme ou documentário:

1) Quase contamina o computador com um Cavalo de Troia;
2) Desiste por algumas semanas;
3) Olha todos os vídeos no Youtube, fica mais obcecada ainda e decide que vai achar. É agora ou nunca!
4) Acha o arquivo e deixa o computador ligado por dias esperando ansiosamente o download terminar;

E vou dizer: valeu cada minuto essa espera. As palavras “resistência”  e “amor” vão adquirir outro significado quando você assistir a esse documentário. E se você não chorar, ou pelo menos derramar uma lágrima que seja, não sei mais o que pode lhe tocar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

#Vídeos: "Nasce uma estrela" (1954) - Comentários



Nasce uma estrela é o tipo de filme que, depois de começar a assistir, você se pergunta porquê demorou tanto tempo para descobri-lo. 

Um retrato amargo, fiel e muito verdadeiro dos anos de ouro de Hollywood. 

TEM VÍDEO NOVO NO AR!

Reserve as caixas de lenço e venha conhecer um dos grandes filmes dessa grande atriz que foi Judy Garland. 

(e vamos chorar eternamente por ela não ter ganho o Oscar por esse filme, sim ou com certeza?)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Tempestades d’Alma (1940)



Era sempre a mesma ladainha: toda vez que Hollywood tentava fazer um filme antinazista, o cônsul alemão em Los Angeles, Georg Gyssling, dizia não e o filme era arquivado. Assim estabeleceu-se uma espécie de colaboração entre Hollywood e os alemães. Eles não faziam filmes antinazistas e a Alemanha deixava que eles pudessem exibir seus filmes lá. O medo de perderem o mercado alemão fez com que os americanos, por quase uma década, excluíssem temáticas antinazistas ou antissemitas de seus filmes.

No entanto, a Segunda Guerra Mundial chegou e muitas coisas começaram a mudar a partir daí.

Como se pode imaginar a guerra afetou a distribuição dos filmes no mundo. Hitler cortou pela metade a receita de Hollywood na Alemanha. Na França, os filmes americanos não podiam mais entrar. Foi então que os chefões dos estúdios decidiram chutar o pau da barraca. Ah é, quer dizer então que vai ser assim agora? Vão cortar a nossa receita, produção? Então nós vamos quebrar o nosso pacto de silenciamento do nazismo e dos judeus, vamos fazer filme antinazistas. Eles quebraram o pacto, como se diz, “naquelas”. Tempestades d’Alma foi o primeiro filme antinazista significativo.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Nada de novo no front (1930)



Nada de novo no front (All quiet in the western front) poderia ter sido mais um filme anti-guerra, exceto por dois motivos: a) ele foi lançado em um momento histórico de muita tensão, a ascenção do nazismo na Alemanha; b) ter sido um filme temido por Hitler. Sim, você não leu errado. Hitler temia Nada de novo no front, pois era um ataque claro aos ideais utópicos de guerra. Ele sabia como ninguém o poder que o cinema exercia sobre as pessoas, e um filme como este desestabilizava a poderosa ferramenta que a guerra era.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Indiscrição (1945)


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Barbara Stanwyck: a mulher que podia fazer tudo. Uma lenda das telas.

Uma das maiores atrizes da era clássica do cinema estaria completando 107 anos hoje. Com mais de 80 filmes no currículo, Stanwyck sofreu da mesma síndrome que atormenta Leonardo di Caprio: a Academia simplesmente não reconheceu seu talento. Foi indicada ao Oscar quatro vezes, todas por filmes lacradores, e não ganhou nenhum. Mais para o final de sua vida ganhou o prêmio Cecil B. De Mille, o Oscar honorário pelo conjunto da obra. A programação do canal americano, TCM , homenageia a diva exibindo filmes para todos os gostos. É aí que quero chegar.

Não é a toa que coloquei no começo deste post o banner que o TCM está utilizando para anunciar a maratona Barbara Stanwyck. Nas palavras de uma amiga minha: “ela canta, dança, sapateia, samba na cara”. E é verdade. Poucas atrizes conseguiam ser tão versáteis quanto ela. Fez drama (Stella Dallas – um filme para ver e rever), filme noir (lacradora como Phyllis, a vilã de Pacto de Sangue), suspense (Sorry wrong number, QUE FILME!) e muito mais. Nesta pequena homenagem a ela, falaremos sobre uma de suas facetas menos conhecidas, acredito: a comédia. Indiscrição (Christmas in Connecticut) é uma deliciosa surpresa tanto no quesito roteiro quanto atuações.

sábado, 29 de março de 2014

Cidadão Boilesen (2009)



Em tempos de reavivamento da Marcha da Família com Deus as portas do aniversário – afinal, o que temos para comemorar? – dos 50 anos da implementação do golpe civil-militar, é necessário que falemos à exaustão sobre esse tema. Se as pessoas saem às ruas com cartazes com os dizeres “intervenção militar já!”, é porque existe uma lacuna não preenchida na formação delas. E essa lacuna diz respeito ao fato de silenciar, omitir ou simplesmente ignorar tudo que aconteceu durante a ditadura militar. É acreditar que vivíamos em um Brasil “melhor” naquela época, porque olha todas as obras que o presidente Médici fez! Só que o ninguém sabe ou prefere ignorar é o tremendo desvio de dinheiro que rolou nessa época para que o milagre brasileiro pudesse acontecer. É acreditar que naquele tempo não havia violência como hoje. E a censura, minha gente? A violência existia, mas como a imprensa estava censurada, ninguém ia colocar no seu jornal esse tipo de notícia para depois ter sua redação incendiada.

Sim, nós precisamos ainda falar muito sobre isso. Muito mesmo. E, neste caso, acredito que o cinema cumpra um papel crucial no que diz respeito à ditadura civil-militar brasileira. É preciso que existam filmes que tratem dessa época, que discutam o que foi esse período e seu impacto na vida dos brasileiros. Batismo de Sangue, Que bom te ver viva (já falei dele por aqui, você pode ler o post aqui: http://cine-espresso.blogspot.com.br/2013/08/que-bom-te-ver-viva-1989.html ) e Você pode dar um presunto legal são alguns desses filmes. Recentemente também tivemos A memória que me contam, da diretora Lúcia Murat, que dirigiu Que bom te ver viva. Esses filmes cumprem seu papel crítico de retratar esse período, além de poderem registrar para as gerações futuras que queiram conhecer mais sobre a história do seu país. O documentário Cidadão Boilesen também faz parte dessa gama de filmes, porém ao contrário dos outros que citei, ele nos leva para um lado pouco conhecido da ditadura: o apoio do empresariado paulista na luta contra o terrorismo e a subversão. Não é a toa que Cidadão levou 16 anos para ser concluído, sem apoio de grandes produtoras. Ninguém apoiaria um documentário que tocava numa ferida que muitos preferiam ignorar.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Clube de compras Dallas (2013)


No sábado à noite, quando Jared Leto ganhou o prêmio SAG por sua atuação em Dallas Buyers Club, percebi que já passava da hora de escrever um post sobre esse filme para o blog. Isso porque a vitória do ator, que interpretou uma transexual, é digna de destaque. Michael Douglas também tem seus méritos, afinal em seu Behind the candelabra (outro filme digno de review!), ele também interpreta um personagem portador do vírus HIV, mas que descobre o vírus quase no final da vida. Existe uma diferença importante entre os dois filmes. Dallas buyers club é cru, sem rodeios e tem o propósito de retratar como a AIDS e seus efeitos nos anos 80; Behind the candelabra centra-se na figura do pianista Liberace e não tem tanto apelo social como o primeiro. O discurso de Leto no SAG deixa bem claro, para mim, a importância de um filme como Dallas buyers no cinema. Principalmente concorrendo à categoria tão desejada de “melhor filme” no Oscar.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

12 Anos de Escravidão (2013)


Baseado na autobiografia de Soloman Northup, que cresceu em Nova York como um homem livre e durante uma viagem à Washington é sequestrado e vendido como escravo. O mais recente filme de Steve McQueen conta com Chiwetel Ejiofor e Lupita Nyong'o, além de um maravilhoso elenco de apoio que inclui Michael Fassbender, Brad Pitt, Sarah Paulson, Benedict Cumberbatch, entre outros. Confira o que achamos de 12 Anos de Escravidão, vencedor do Globo de Ouro e grande aposta para a noite de entrega dos prêmios da Academia.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Walt nos bastidores de Mary Poppins (2013)



Em uma época em que não existia 3D, Mary Poppins foi talvez A sensação de 1964. Não era a primeira vez em que os estúdios Walt Disney reuniam animação e pessoas de verdade – os filmes de Zé Carioca e as irmãs Miranda foram os pioneiros -, mas esse tinha um toque a mais. Pegue a doçura de Julie Andrews, as palhaçadas de Dick Van Dyke e misture com uma pitada de um romance que nunca existiu. Agora adicione músicas e danças a uma colher de uma história muito bem contada. Depois que você assiste Mary Poppins é supercalifragilisticexpialidocious!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Expresso da Meia-Noite (1978)


Baseado na história real de Billy Hayes detido na Turquia quando tentava ultrapassar a fronteira com uma quantidade desconhecida de drogas. O jovem americano descobre da pior forma que a constituição dos EUA não está em seu passaporte quando comete um erro no exterior. O estúdio apostou em um ator novato, um roteirista novato e o diretor estreante Alan Parker (Mississipi Burning, Evita, A Vida de David Gale), que só tinha realizado um filme independente, até então.

Em 16 de maio de 1978, O Expresso da Meia-Noite participou do Festival de Cannes sob protestos turcos. Na Holanda, representantes da Turquia foram aos tribunais para banir Midnight Express, mas o juiz determinou que o filme seria exibido. Quarenta e um dias depois de o filme ser exibido em Cannes, os Estados Unidos e a Turquia iniciaram as negociações formais para a troca de prisioneiros.